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sábado, 17 de outubro de 2009

Gênesis é um relato literal?


Gostaria que vocês comentassem sobre o texto de Reinaldo José Lopes, publicado no site Globo.com, no dia 16 de maio de 2009. – L.


1. Jesus confirmou a historicidade do Gênesis ao citá-lo como sendo um livro literal. E jamais entendeu que houvesse “dois relatos da criação”. Ao dizer que o ser humano foi criado, nem passou pela mente do Salvador a ideia absurda de que pudessem existir contradições na Bíblia. Veja o texto a seguir: “Então, respondeu Ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:4-6).

Duvido que Lopes saiba mais sobre a Bíblia – e a cultura hebraica – do que o próprio Jesus Cristo...

2. Pedro também reconheceu a literalidade do Gênesis ao fazer menção ao Dilúvio: “...os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água” (1 Pedro 3:20).

3. Paulo – homem de grande cultura acadêmica para os dias dele – também acreditava que o Gênesis era literal ao mencionar Adão e citar Gênesis 2:7: “Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante” (1 Coríntios 15:45).

4. Gênesis faz parte do Pentateuco – coleção de cinco livros históricos. Ambos apresentam narrativas de fatos que realmente aconteceram e jamais o autor (Moisés) quis dar ao que escreveu qualquer tom de “poesia” associada a “simbolismo”.

5. O fato de o Criador ser mencionado como “Deus” no capítulo 1 e “Senhor Deus” no capítulo 2 não apresenta problema algum na mente de quem estuda a Bíblia com sinceridade. Por que Deus não poderia ser chamado de maneira diferente, sendo que Ele possui vários nomes na Bíblia que descrevem o caráter dEle? Argumento muito simplista o do autor do artigo!

6. O verso 4 do capítulo 2 é a conclusão do relato do capítulo 1! Será que Reinaldo José Lopes não sabe que a divisão da Bíblia em capítulos e versículos veio posteriormente e que o fato de uma frase estar noutro capítulo não indica necessariamente o começo de um novo relato?

7. Segundo o Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, “de maneira alguma se pode considerar que o capítulo 2 seja outra versão do relato da Criação, do capítulo precedente. Seu propósito é colocar Adão e Eva em seu lugar no jardim do Éden, e isso é feito para proporcionar [ao leitor] informação adicional”. É por isso que não há no capítulo 1 a informação de que a mulher foi feita da costela de Adão.

8. A respeito do verso 5 – pelo qual o autor do artigo julga apresentar uma “prova” de que o relato é contraditório – afirma o comentário supracitado: “Os versos 4-6 antecipam a criação do homem descrita no verso 7, ao detalhar brevemente a aparência da superfície da terra, particularmente com respeito à vegetação, pouco antes de o ser humano ter sido formado no sexto dia da semana da criação.” O articulista deveria usar comentários bíblicos fiéis no estudo da Bíblia para não escrever coisas que não têm apoio algum com base nas regras da hermenêutica.

9. O uso do verbo plural “façamos”, em Gênesis 1:26, não é um diálogo entre Deus e Seus “conselheiros angélicos” porque os anjos não têm a prerrogativa de serem criadores (cf. Hebreus 1:14). A Bíblia apresenta a Deus como único Criador (Malaquias 2:10). O verbo no plural nos ajuda a entender o porquê de o nome Deus no primeiro versículo ser usado em forma plural (Elohim): a Trindade estava envolvida na Criação – ver João 1:1-3, Jó 33:4 e Salmo 104:30 (o tal “plural majestático”, sim, é uma lenda! Se Lopes prefere acreditar nisso...).

10. A declaração a seguir do articulista também é de pasmar: “O mandamento de guardar o sábado, na maioria dos textos bíblicos, como em Deuteronômio 5, 12-15, não usa a Criação como justificativa, o que parece indicar que a ideia foi introduzida de forma tardia na cultura israelita.” Isso não tem cabimento. Antes de a Lei ser dada no Sinai, o povo já sabia que o sábado deveria ser celebrado como memorial da Criação. Basta ler o episódio do maná em Êxodo 16. Em Deuteronômio 5:12-15, Deus apresenta apenas uma razão adicional para eles observarem o sétimo dia: por terem sido escravos no Egito, deveriam descansar e dar descanso a qualquer pessoa que estivesse sobre a jurisdição deles.

Em Deuteronômio 5:12-15, há também uma aplicação teológica vital para os cristãos de hoje: assim como o povo Israelita observou o sábado também por ter sido liberto da escravidão do Egito, hoje devemos celebrar o sábado também por Deus nos ter libertado da escravidão do pecado por meio de Jesus Cristo (João 8:36).

11. Portanto, a frase “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come” se aplica a Lopes, pois ele tem duas opções: aceitar o que Deus ensina sobre a Criação dEle ou ficar ao lado de Charles Darwin.E, para finalizar: todo criacionista esclarecido jamais nega a importância da ciência e da explicação evolucionista a respeito da microevolução. O que não aceitamos – assim como os Pais da Ciência e muitos cientistas atuais – é a macroevolução, que jamais foi vista em laboratório...(Leandro Quadros, jornalista e consultor bíblico da Novo Tempo)

Se tiver dúvidas escreva um comentário ou então envie um email para: patricio@ubla.com.br e responderemos com maior prazer.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A MULHER NÃO PODE FALAR EM PÚBLICO?


Os textos de Paulo referentes à participação da mulher no culto público (1 Timóteo 2:8-15; 1 Coríntios 14:34) devem ser entendidos à luz do contexto histórico e cultural dos dias dele.

A Bíblia não considera a mulher inferior ao homem, pois, ambos foram criados à imagem de Deus (Gênesis 1:26 e 27). Eva inclusive foi tirada de uma costela de Adão, DO SEU LADO, o que indica que ela era IGUAL a ele em importância. Deus não a fez do “osso do pé” de Adão, para não ser inferior e nem do “osso da cabeça”, para não ser superior. A palavra de Deus exalta a mulher. Apenas difere a mulher do homem em sua função depois da entrada do pecado. O homem agora é o cabeça do lar e ela, o coração do lar. Deus achou melhor que o homem fosse o chefe da família no contexto de pecado em que vivemos.

Se 1 Timóteo 2:8-15 fosse interpretado sem levar em conta o porquê de Paulo ter dato tal orientação, até Ellen White, a profetisa chamada por Deus, estaria errada em pregar. Ela era uma grande pregadora e muitas pessoas se converteram com seus sermões. E mais: se devemos entender tal declaração de Paulo como sendo um princípio (ao invés de uma norma cultural) para todas as culturas, de todas as épocas, então as mulheres nos dias de hoje devem usar o véu e o cabelo comprido (1 Coríntios 11:2-16). E, não poderíamos nem mesmo apreciar as lindas vozes de nossas cantoras nos dias de culto, já que elas não podem se expressar diante do público.

Paulo falou para culturas em que era “vergonhoso” (conferir 1 Coríntios 14:35) as mulheres falarem em público (em Corinto, era indecente aparecer sem o véu ou com o cabelo cortado). O Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia afirma sobre 1 Coríntios 14:35: “… os costumes dos gregos e dos judeus ordenavam que as mulheres se retirassem quando se discutiam os assuntos públicos. A violação desse costume seria considerada como uma desonra e teria sido uma vergonha para a igreja”.

Que isso era apenas uma questão cultural podemos ver no fato de que a Bíblia mencionar mulheres chamadas por Deus para serem profetisas e até mesmo ocupar cargos de liderança: Débora (juíza e profetisa – Juízes 4: 4 e 5), e as 4 filhas de Felipe (profetisas – Atos 21:9), por exemplo. O próprio Paulo contava com a cooperação das mulheres na pregação do evangelho (Filipenses 4:2, 3; Romanos 16:3, 6, 12, 15).

Hoje, em nossa cultura, não é vergonhoso uma mulher falar publicamente. Pelo contrário: a mulher está cada vez mais ocupando o seu espaço, inclusive no comando de grandes empresas. Claro que não devemos aceitar que a mulher perca o seu papel destinado por Deus. Ela é insubstituível em sua função de professora dos filhos, no preparo deles para a vida eterna.

Assim, não há nada na Bíblia que proíba e mulher, em nossa cultura, de ensinar e pregar.

Um abraço a todos os amigos do blo
Leandro Quadros.

fonte: www.novotempo.org.br/namiradaverdade

sábado, 18 de julho de 2009

Cuidado com o Fogo do Inferno!



Este negócio de acreditar na existência de um inferno eterno de fogo a queimar os "impenitentes" está mesmo arraigado na mente dos professos cristãos de nosso tempo.



Junto com a crença da santidade do domingo, a crença na existência deste lago de fogo eterno (fruto da heresia da imortalidade natural da alma) está no rol das grandes heresias semeadas pelo diabo no Cristianismo. Infelizmente muitos se deixaram enganar! (Gên. 3:4).


Hoje de manhã, enquanto aguardava o programa Pequenas Empresas, Grandes Negócios, passei por um canal onde um líder neo-pentecostal (que se intitula de "apóstolo" e fundou sua igreja "mundial" depois de brigar com a liderança de outra igreja "universal"), usava o texto da parábola do Rico e Lázaro para defender que os que rejeitaram a Deus serão atormentados, ETERNAMENTE, no lago de fogo do inferno. Ele dizia: "todo sofrimento que vocês passarem aqui, seja o câncer, a AIDS, uma doença incurável, nada se compara aos tormentos que os perdidos passarão durante toda a eternidade no inferno". Então, ele citava o exemplo do "rico" da parábola, que pedia um pouco de água ao mendigo que havia chegado ao Céu (clique aqui e entenda a parábola).


As pessoas ouviam aquelas heresias com um ar de medo e apavoramente estampado em suas faces, provavelmente dizendo em seus corações: "Deus me livre de ir para o inferno, sofrer desse jeito para todo o sempre!".


Assim como este "apóstolo", há muitos pregadores modernos que distorcem a Bíblia e ensinam verdadeiros absurdos doutrinários, maculando o caráter santo de Deus. Eu mesmo recebo muitos e-mails de professos cristãos INDIGNADOS porque eu coloquei aqui no blog um estudo que mostra que o inferno, como eles pregam, não existe (reveja). É uma pena que a Bíblia seja interpretada por estas pessoas sob o ponto de vista da filosofia grega, PAGÃ e, muitas vezes, DIABÓLICA.


Quero ratificar a certeza que tenho de que não haverá este tal lago de fogo e enxofre a arder eternamente (creio que ele existirá, porque a Bíblia assim o diz, mas não posso jamais crer que permanecerá queimando por toda a eternidade), apresentando algumas perguntas que os "infernistas" não têm como responder biblicamente.


1. Se a parábola do rico e Lázaro deve ser entendida literalmente (cf. Luc. 16:20-31), então o inferno e o céu são tão próximos que as pessoas (salvos e perdidos) terão contato entre si durante a eternidade?


2. Como a eternidade seria um local de gozo e paz eternas (cf. 1Cor. 2:9), se continuássemos mantendo este contato macabro com nossos parentes, filhos, pais, amigos, vizinhos, etc., que não se salvarem e que nos procurarem constantemente para lhes "molhar a língua"?


3. Se a palavra "eterno", referindo-se ao fogo, significa que ele arderá para sempre, como fica a declaração bíblica de que Sodoma e Gomorra foram destruídas pelo "fogo eterno" (cf. Judas 1:7)? Se assim o fosse, não seria para haver um lugar na face da Terra (onde estas cidades estavam situadas) com uma tocha de fogo inextinguível?


4. Se Deus não destruirá de uma vez por todas o pecado, mantendo o diabo e seus seguidores no inferno eterno, então como podemos dizer que a morte foi vencida e "destruída" (cf. 1Cor. 15:26)? Como crer que o diabo foi vencido e destruído, se ele continuará vivo por toda a eternidade? Com esta crença herética do fogo ardendo eternamente, o diabo sairá como o grande vencedor!


5. Se as pessoas que morreram em Cristo já estão no céu (como os que defendem o inferno afirmam), então qual a necessidade da ressurreição (cf. João 5:29)? Por que elas precisariam deixar o céu, voltar para o corpo sepultado, ressuscitar e novamente retornar para o céu? Será que é por causa deste "dilema doutrinário", impossível de ser resolvido, que não se vê muita pregação sobre a ressurreição nas igrejas cristãs que crêem no estado consciente dos mortos?


6. Como o Universo entenderia a justiça de Deus, se Ele condenasse um adolescente, por exemplo, a uma eternidade de tormentos infernais, como punição (ou "vingança" como recentemente me escreveu alguém inconformado com minha fé) por 13, 14, 15 ou 16 anos de pecado? Nem mesmo os tribunais humanos, enlameados por denúncias de corrupção, politicagem e outros erros, são tão implacáveis! Quanto mais um Deus que a Bíblia diz que é só amor e justiça (cf. 1Jo 4:7-16)!


7. Se já recebemos a recompensa logo por ocasião da morte, como querem os infernistas, como será que Lázaro, irmão de Marta e Maria, deve ter se sentido depois que Jesus o ressuscitou (cf. João 11)? Segundo a heresia pregada nas igrejas cristãs, ele foi chamado de volta para este mundo de pecado e sujeiras depois de ter experimentado 4 dias de "glória" no Céu. Perceberam o absurdo de se crer no paganismo grego?! Prefiro ficar com a Bíblia!


8. Se a Bíblia é claríssima em dizer que os mortos não sentem, nem sabem nada (cf. Ecles. 9:5-6), como, então, alguém pode defender que os mortos sofrerão atormentados pelos pecados dos quais não se arrependeram? Como harmonizar o que a Bíblia diz nestes versos com o que o tal "apóstolo" ensinou baseado na parábola de Lucas 16? Se os mortos não sabem mais nada, como que o "rico" da parábola estava tão preocupado com seus parentes? Mais uma vez, prefiro ficar com a Bíblia, e crer na morte como um "sono" (cf. Jo 11:11-14), afinal parábola é parábola e não se deve interpretar literalmente!


9. O tal "apóstolo" também ensinou que somos imortais, por isso viveremos, no céu ou no inferno, eternamente. Como harmonizar isso com a declaração de que SOMENTE DEUS é imortal (cf. 1Tim. 6:16)? Como harmonizar esta declaração herética do cristianismo moderno, com a afirmação bíblica de que quem peca "morre" (cf. Ezeq. 18:4 e 20)?


10. Se a Bíblia sempre usa expressões do tipo: "consumirá", "extinguirá", etc., para se referir a este fogo eterno, como posso crer que as pessoas continuarão "vivas" para sempre? (cf. Malaq. 4:1). Se a Bíblia diz claramente que não restará "nem raiz nem ramos", como eu posso crer que o fogo continuará ardendo? Afinal, é a "chama" do fogo que é eterna, ou suas "consequências" é que o são?


Por enquanto é só...


Quem desejar fazer comentários, ou responder às questões (sem achismos, blá-blá-blá, "me disseram" ou a velha lenga-lenga de criticar Ellen White e os Adventistas), fique à vontade.


"E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras" (Apoc. 21:4-5).

Autor: Prof. Gilson Medeiros

Fonte: http://prgilsonmedeiros.blogspot.com/

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A parábola do rico e Lázaro

Lucas 16:19-31
19 Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente.
20 Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras;
21 o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras.
22 Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado.
23 No inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio.
24 E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.
25 Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que em tua vida recebeste os teus bens, e Lázaro de igual modo os males; agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado.
26 E além disso, entre nós e vós está posto um grande abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os de lá passar para nós.
27 Disse ele então: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai,
28 porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham eles também para este lugar de tormento.
29 Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos.
30 Respondeu ele: Não! pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender.
31 Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.


O J. insiste na “dificuldade” de Jesus ter narrado a parábola do rico e Lázaro recorrendo a noções de idéias populares entre os judeus, o que para ele seria inadmissível. Essa dificuldade já explicamos e superamos, mostrando que no próprio contexto da famosa parábola há outra que, se considerada literalmente, oferecerá grandes dificuldades também—estaria Jesus ensinando esperteza nos negócios, já que o “mordomo infiel” trata de resolver negócios futuros que lhe sejam favoráveis ao máximo, quase no estilo dos espertalhões no mundo dos negócios que agora estão até cumprindo pena por crimes financeiros nos EUA e outros países (casos recentes da Parmalat, Health South, Enron, Cisco). Seria algo nessa linha que Cristo estaria ensinando? Claro que não. Temos que buscar ver a real intenção do ensino ilustrado na parábola, como se dá também com a do rico e Lázaro.

Em parte alguma a Bíblia aprova práticas de administração desonesta, mas a lição da parábola é “das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que quando estas vos faltarem esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos”. (Luc. 16:9), não visa a ensinar a desonestidade nos negócios, obviamente.

Também ficar preso a certa linguagem de um texto que não tem respaldo do ensino global das Escrituras é um sério problema, como o próprio uso de linguagem alegórica de Cristo ao falar de como é preferível arrancar um olho, ou braço, ou perna que levaram alguém ao pecado a ir para o inferno com corpo inteiro (Mar. 9:43-45). Será que no céu haverá pernetas, manetas, caolhos?

Mar. 9:43-45
43 “E se a tua mão te fizer tropeçar, corta-a; melhor é entrares na vida aleijado, do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga.
44 [onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.]
45 Ou, se o teu pé te fizer tropeçar, corta-o; melhor é entrares coxo na vida, do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno.”

Clarissimamente Cristo NÃO TEM INTENÇÃO de ensinar a imortalidade da alma nesta parábola, pois JAMAIS ensinou isso em qualquer outra parte dos evangelhos, nem é ensinado em qualquer outra parte da Bíblia. Pelo contrário, Cristo negou isso ao enfatizar a ressurreição dos mortos como única possibilidade de se alcançar a vida e que esta será concedida quando de Seu retorno glorioso (ver João 5:25, 28, 29 e 14:1-3).

João 5:25, 28, 29
25 “Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão.
28 Não vos admireis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão:
29 os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.”

João 14:1-3
1 “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.
2 Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar.
3 E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.”

Aliás, nem as palavras “alma” ou “espírito” aparecem na parábola em discussão. O que Ele apresenta é um quadro da justiça divina—quem neste mundo vive indiferente a princípios de justiça e misericórdia, pode pensar que leva a melhor sobre tudo e todos, mas as coisas, na consideração divina, serão invertidas no devido tempo.

Artigos já postados lançam luz adicional sobre como a tradição judaica encarava a questão do “seio de Abraão”, “hades”, etc. e o uso de uma ilustração de algo apenas parcialmente firmado em crendice popular é normal e comum entre pregadores. Histórias de extraterrestres visitando o planeta são exemplos de recursos desses. A Bíblia apresenta duas ilustrações de plantas que conversam em Isaías 14:8 e Juízes 9:8ss (“Até as faias se alegram sobre ti, e os cedros do Líbano, dizendo: Desde que tu caíste ninguém sobe contra nós para nos cortar”; “Foram uma vez as árvores a ungir para si um rei; e disseram à oliveira: Reina tu sobre nós. . . .”).

Seria o caso de perguntar ao J.—se a Bíblia é um livro que somente devia apresentar a verdade, como pode valer-se de algo tão absurdo quanto a noção de árvores que conversam?
Pois bem, a “dificuldade” que o J. nos levanta foi resolvida. Que tal agora ele enfrentar também 10 dificuldades que lhe apresentamos com relação à noção que defende—de que a parábola do rico e Lázaro “prova” a crença na imortalidade da alma?

1 – Como ele explica que na parábola do rico e Lázaro não aparece nada de “alma” e “espírito” e sim pessoas normais interagindo, se o seu objetivo é ensinar a imortalidade da alma?

2 – Como explica almas que têm olhos, dedos, língua que pode ser molhada?

3 – Sendo que o condenado apela a Abraão, não poderiam os católicos justificar o seu ensino de “intercessão dos santos” mediante tal relato hipotético?

4 – Como explica que na própria parábola, ao final a ênfase na ida de algum dentre os mortos para pregar aos irmãos do condenado, o personagem Abraão fala em “ainda que RESSUSCITE alguém dentre os mortos. . .” (vs. 30 e 31), confirmando que só a ressurreição é o caminho do retorno de quem morreu à existência?

Lucas 16:30,31
30 “ Respondeu ele: Não! pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender.
31 Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.”

5 – Como explica o relato de conversação entre árvores nas Escrituras, sendo isso inteiramente fora de propósito, em termos normais?

6 – Como explica a necessidade de atenção especial para entender a parábola que vem exatamente antes desta, do mordomo infiel, pois literalmente fica a impressão de que Cristo está ensinando pessoas a agirem aeticamente no campo dos negócios?

7 – Poderia explicar como a linguagem do mesmo Cristo em Marcos 9:43-45 não pode ser entendida literalmente, já que ninguém deve arrancar mesmo membros do corpo para obter a salvação, e no céu não haverá realmente manetas, pernetas ou caolhos?

Marcos 9:43-45
43 “E se a tua mão te fizer tropeçar, corta-a; melhor é entrares na vida aleijado, do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga.
44 [onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.]
45 Ou, se o teu pé te fizer tropeçar, corta-o; melhor é entrares coxo na vida, do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno.”

8 – Poderia dar exemplo de alguma doutrina básica da fé Cristã que tem por base uma parábola?

9 – Se Cristo quis ensinar a natureza dualística do homem por esta parábola, por que tal ensino JAMAIS é encontrado em qualquer outra parte de Seus ensinos?

10 - Sendo que não haverá lembrança das coisas más do passado, como um pai ou mãe podem esquecer-se dos sofrimentos de um filho que esteja eternamente em torturas, sendo que a vizinhança de céu e inferno é de tal monta que se pode ver de um lado o que se passa do outro?

Assim, amigos, esse negócio de ficar teimando, e teimando e teimando sobre um determinado ponto, levantando objeções com base em suposta dificuldade enquanto se ignoram outras dificuldades que podem ser levantadas para solução da parte do objetante não é justo nem parece tornar sua objeção convincente.

Prof. Azenilto G. Brito
Ministério Sola Scriptura
Bessemer, Ala., EUA

Fonte: http://www.azenilto.com/01-DIFICULDADE.html

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Carta do Papa sobre o domingo



Alguns me perguntaram sobre a Carta do Papa João Paulo II, dirigida aos fiéis e líderes católicos de todo o mundo, no qual o Pontífice Romano exorta para que todos busquem uma maior santidade do Domingo, o Dies Domini, segundo a Igreja de Roma.
Desde 1998 que esta carta está circulando no mundo, e seus argumentos puramente filosóficos tentam solapar a teologia e doutrina bíblicas do santo sábado do sétimo dia.
Ou seja, na visão da Igreja Romana, todas as bênçãos que o Senhor colocou sobre o sétimo dia, ela, a Igreja, transferiu para o primeiro dia da semana, em uma pseudo-honra à ressurreição de Cristo.
Vejam como o papa conclui a carta:
“Confio o acolhimento frutuoso desta Carta Apostólica pela comunidade cristã à intercessão da Virgem Santa. Sem nada tirar à centralidade de Cristo e do seu Espírito, Ela está presente em cada domingo da Igreja. Exige-o precisamente o mistério de Cristo: de facto, como poderia Ela [Maria], Mater Domini e Mater Ecclesiæ, não estar presente a título especial no dia que é simultaneamente dies Domini e dies Ecclesiæ?
Para a Virgem Maria, olham os fiéis que escutam a Palavra proclamada na assembleia dominical, aprendendo com Ela a conservá-la e meditá-la no seu coração (cf. Lc 2,19). Com Maria, aprendem a estar ao pé da cruz, para oferecer ao Pai o sacrifício de Cristo e associar ao mesmo a oferta da própria vida. Com Maria, vivem a alegria da ressurreição, fazendo suas as palavras do Magnificat que cantam o dom inexaurível da misericórdia divina no fluxo inexorável do tempo: « A sua misericórdia estende-se de geração em geração sobre aqueles que O temem » (Lc 1,50). Domingo a domingo, o povo peregrino segue o rasto de Maria, e a sua intercessão materna torna particularmente intensa e eficaz a oração que a Igreja eleva à Santíssima Trindade.
A iminência do Jubileu, queridos Irmãos e Irmãs, convida-nos a aprofundar o nosso compromisso espiritual e pastoral. De facto, é este o seu verdadeiro objectivo. No ano em que aquele vai ser celebrado, muitas iniciativas o caracterizarão, dando-lhe aquele timbre singular que não pode deixar de ter a conclusão do segundo e o início do terceiro Milénio da Encarnação do Verbo de Deus. Mas este ano e este tempo especial passarão, dando lugar à expectativa de outros jubileus e de outras datas solenes. O domingo, com a sua ordinária « solenidade », permanecerá a ritmar o tempo da peregrinação da Igreja até ao domingo sem ocaso.
Exorto-vos, portanto, amados Irmãos no episcopado e no sacerdócio, a trabalhar incansavelmente, unidos com os fiéis, para que o valor deste dia sagrado seja reconhecido e vivido cada vez melhor. Isto produzirá frutos nas comunidades cristãs, e não deixará de exercer uma benéfica influência sobre toda a sociedade civil”.
Os evangélicos podem até negar, mas é um fato que a Igreja Romana se coloca como “dona” e “autora” da santificação do domingo, creditando, inclusive, a Maria uma honra especial durante este dia.
Pena que muito evangélico sincero, que se limita apenas a repetir o que seu pastor equivocadamente prega, não se dê conta de que está seguindo uma ordenança papal, ao mesmo tempo em que despreza as claras e límpidas orientações da Palavra de Deus sobre o ÚNICO dia que a Bíblia classifica como SANTO, SEPARADO e DE DESCANSO - o sétimo!
“Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a lei…” (Dan. 7:25).
Cumpriu-se cabalmente a profecia bíblica!
A Carta Papal na íntegra pode ser lida no próprio site do Vaticano (clique aqui).
“Então, Pedro e os demais apóstolos afirmaram: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29).
“E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mat. 15:9).
“O que desvia os ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável” (Prov. 28:9).
“Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apoc. 14:12).
“Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam” (Tiago 1:12).
“Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (João 14:15).


Pr.Gilson Medeiros

segunda-feira, 25 de maio de 2009

João 17 - a Divindade de Cristo e do Espírito Santo


Publicado em 22. mai, 2009 por Advir em Artigos

A Paz do Senhor Jesus Cristo, Pr. Leandro… Se na Trindade Jesus é Deus, por que ele esta à direita do trono do Pai? Em João cap. 17 vers 21 ele afirma: “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”. Assim sendo, acho que Jesus Cristo esta se referindo neste texto sobre a unidade de Espirito e não necessariamente dizendo que existem três pessoas numa divindade…Gostaria de saber se estou certo.
Além disso, 1 joão cap 5 e vers 7 (Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um )….Testificar não significa que seja uma única Pessoa e sim que estes 3 são os que testificam. Amigo internauta, recado deixado no blog.
Olá, amigo,
Suas considerações são sempre bem-vindas.
O fato de Jesus estar ao lado direito do trono de Deus Pai - ou do esquerdo - em nada afeta a Divindade dEle, afirmada de forma clara em Colossenses 2:9 (entre muitos outros versos): “Porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade.” Perceba que Cristo não é “um pouco Deus”, mas, plenamente Divino!
E, o sentar-se no trono, ao lado direito, na Bíblia significa autoridade. Se não fosse Divino, seria incoerente uma “criatura” comandar o universo (Hebreus 1:1-3) com o Criador.
A respeito de João 17, na oração de Cristo antes dEle subir ao Céu, o Senhor orou pela unidade dos discípulos. Ele não mencionou o Espírito Santo naquele contexto porque não era o mais relevante no ensinamento que Jesus quis passar (além disso, a revelação sobre o Espírito foi progressiva na Bíblia). Ao examinar o todo das Escrituras, você poderá ver que O Espírito Santo é mencionado junto com o Pai e o Filho (2 Coríntios 13:13; Judas 1:20) e, noutros textos, só Jesus e o Espírito são citados! Veja um deles:
“Por força de sinais e prodígios, pelo poder do Espírito Santo[veja que o Espírito não É um poder: Ele TEM poder!]; de maneira que, desde Jerusalém e circunvizinhanças até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo” Romanos 15:19.
Portanto, se João 17 indica que o Espírito Santo não existe como uma pessoa, o texto acima também indica que Deus o Pai não existe, pois Ele não é mencionado (afirmar isso seria uma blasfêmia).
Quando uma Pessoa da Divindade é mencionada na Bíblia e outra não, devemos levar em conta o CONTEXTO da declaração porque cada Pessoa Divina se enquadra melhor num. E, ao mesmo tempo, não ignorarmos os demais textos bíblicos que colocam o Espírito Santo no meu grau de Divindade que Cristo e Deus Pai (leia Atos 5:3, 4).Sobre 1 João 5:7, não o usamos como defesa da doutrina da Trindade porque o que está entre colchetes é um comentário de um copista. É claro que o copista não acrescentou uma heresia no manuscrito, mas, preferimos usar Mateus 28:19, Efésios 4:4-6, 2 Coríntios 13:13, Judas 1:20, João 14:16, entre outros, para provar que a Divindade é formada por Três Pessoas.
Postarei no blog textos que mostram que Jesus é Deus e outros sobre o Espírito Santo. Espero que a leitura dos mesmos o ajude a crescer “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pedro 3:18).
Conte comigo sempre.
Um abraço,
Leandro Quadros
Jornalista - consultor bíblico
www.novotempo.org.br/namiradaverdade/

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O paradoxo da agulha



O que Jesus queria dizer com a expressão “passar um camelo pelo fundo de uma agulha” (Mt 19:24)? – N.F, Santo André, SP

Por Alberto R. Timm

“As palavras ‘passar um camelo pelo fundo de uma agulha’ são uma expressão proverbial semelhante a várias outras usadas no mundo antigo para descrever uma impossibilidade”.Em Mateus 19:16-30 (ver também Mc 10:17-31; Lc 18:18-30) aparecem o relato do jovem rico, que não conseguiu se desvencilhar de suas posses materiais, e as declarações de Cristo sobre o perigo das riquezas. Depois que o jovem “retirou-se triste”, Cristo afirmou: “Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus. E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Mt 19:22-24). Alguns comentaristas bíblicos procuraram minimizar o efeito paradoxal da expressão “passar um camelo pelo fundo de uma agulha” reinterpretando o significado dos termos “camelo” e “fundo de uma agulha”. Por exemplo, há quem diga que a palavra “camelo” se refira aqui não ao próprio animal conhecido por esse nome, mas a um “cabo” ou “corda” de navio. Os defensores dessa teoria se baseiam no fato de que alguns manuscritos bíblicos, produzidos vários séculos depois de Cristo, trazem nesse verso a palavra “cabo” em vez de “camelo”. Como no original grego os termos “camelo” (kámelos) e “cabo” (kámilos) possuem certa semelhança entre si, é provável que alguns copistas e tradutores do Novo Testamento tenham substituído intencionalmente o termo “camelo” por “cabo”. Outra teoria popular pretende identificar o “fundo de uma agulha” com uma suposta portinhola lateral nos muros de Jerusalém, pela qual passavam os pedestres quando os grandes portões daquela cidade já estavam fechados. Embora as portinholas de algumas cidades mais recentes da Síria fossem denominadas de “olho da agulha”, não existem evidências de que esse era o caso com Jerusalém nos dias de Cristo. Como a teoria da portinhola surgiu séculos depois de Cristo, não cremos que Ele a tivesse em mente no texto em consideração. As palavras “passar um camelo pelo fundo de uma agulha” são, sem dúvida, uma expressão proverbial semelhante a várias outras usadas no mundo antigo para descrever uma completa impossibilidade. Mesmo na literatura judaica posterior aparecem alusões ao “elefante” como incapaz de passar pelo fundo de uma agulha. Sendo que os discípulos estavam bem mais familiarizados com o camelo do que com o elefante, Cristo decidiu contrastar o maior dos animais da Palestina (o camelo) com o menor dos orifícios conhecidos na época (o fundo de uma agulha). As tentativas de interpretar o “camelo” como um cabo e o “fundo de uma agulha” como uma portinhola acabam enfraquecendo, portanto, a força do argumento de Cristo. O texto de Mateus 19:16-30 deixa claro que o propósito de Jesus era levar Seus discípulos a entender a completa impossibilidade de alguém, semelhante ao jovem rico, ser salvo enquanto ainda apegado às suas riquezas. O problema não está nas riquezas em si, mas no apego indevido a elas. Mas quando o ser humano aceita o convite à renúncia de si mesmo (ver Mt 16:24-26), aquilo que é “impossível aos homens” se torna possível ao poder transformador da graça divina (Mt 19:26).

Fonte: Sinais dos Tempos, janeiro/fevereiro de 2003, p. 30 (usado com permissão)

terça-feira, 24 de março de 2009

Análise do Êxodo - 3a. parte




[ O cântico e as águas amargas]




O senhor ia diante do povo numa coluna, como presença da Majestade Divina. Cristo estava com a igreja no deserto. A quem o Senhor levar ao deserto, Este não os deixará a sós, senão que os guiará e ajudará na travessia, ainda que seja lugares áridos como o deserto.
Sabemos que uma nuvem os protegia do forte calor ao dia e uma coluna de fogo não os deixava presos na escuridão (Ex 13:20-22). A nuvem traz um importante papel no desenrolar da história desértica (Ex 33:7-11; 40:34-38; Nm 9:15, 16; 11:25; 12:5, 10; Dt 31:15), pois é um testemunho da presença única de Deus em uma forma viva e dinâmica em favor de uma nação.
Embora sejam acontecimentos no passado, estes trazem fortes lições espirituais lançando luz aos nossos dias, pois Deus ainda tem guiado seu povo, continuamente, ao dia e a noite, em direção a nova terra, a terra prometida. Assim como o povo jamais conseguiria encontrar o caminho correto sem a presença do Eterno, nós cristãos, hoje, jamais conseguiremos chegar ao céu se o Senhor não nos der a direção correta.
Após a travessia do mar, um cântico foi entoado como fruto de terem presenciado tão grande livramento vindo do Eterno. Este cântico é para a honra e glória somente de Deus, para exaltar seu nome e celebrar sua posição (v. 21). O cântico do povo aparece no verbo singular coletivo (v.1), vem após haver tido a experiência com o Senhor que produziu fé resultando em cânticos. Haviam encontrado vida e liberdade quanto tudo parecia perdido. Não exaltava o povo a si mesmo, senão aclamavam ao Senhor como “Deus, Pai e Guerreiro” (v. 2, 3), aclamando-o com as frases “minha fortaleza”, “minha canção”, “minha salvação”. Esse cântico inclui os aspectos da libertação física e salvação espiritual.
Até aqui podemos aprender algumas lições:
A adoração é um fim em si mesma, não um meio. Não adoramos a Deus para obter bênçãos, senão para agradecer as que já nos concedeu.
A adoração não se cumpre sem que o adorador não se apresente ante Deus com completa disposição de cumprir sua vontade.
O cântico é uma parte muito importante na adoração, mas adoração não é somente cantar.
A adoração sincera e atenta produz no adorador uma nova e renovada disposição de consagração ao Senhor.
Este canto de Moisés é o documento poético mais antigo da literatura hebraica. A sua composição é animada por uma verdadeira emoção que revela a alegria da salvação e sua fé e confiança em Deus. Moisés soube expressar, cheio do Espírito Santo, palavras de entusiasmo que sua alma sentiu a propósito do maravilhoso acontecimento.
O uso do verbo “cantar” no futuro é interpretado como uma indicação para Israel de que a capacidade de reconhecer a graça Divina e entoar-Lhe este cântico de louvor não deve ser limitada apenas àqueles que presenciaram a travessia do mar. Os filhos de Deus devem desenvolver, hoje, sua capacidade espiritual e cantar este louvor com a mesma emoção que seus ancestrais o entoaram.
Este é meu Deus e far-Lhe-ei uma morada - O Midrash comenta que estas palavras foram pronunciadas pelas mulheres judias à beira do mar Vermelho. Levantando nos braços os filhos recém-nascidos, disseram: “Este é o nosso Deus e, por meio destes filhos, nós O glorificamos.
Duas vezes na Bíblia se faz presente o cântico de Moisés, o servo de Deus (Ex 15 e Ap 15:1-4). Em ambos os textos, se referem a libertação efetuada pela mão de Jeová, o Senhor que livra o seu povo do exército inimigo.
Quais os elementos comuns em ambas as situações? Pois em ambos os momentos Deus é o autor da liberdade e Aquele que livra da tirania física e espiritual. Assim, os paralelos são:
ISRAEL – A.T
OS REDIMIDOS – N.T
Israel canta ao lado do mar vermelho.
O povo aclama ao lado do mar de vidro.
Deus é aclamado com pandeiros.
Os salvos usam harpas.
Estão na rota da terra prometida.
Entrarão na Canaã celestial.
Celebram a vitória de Deus sobre o Egito e Faraó.
Celebram a vitória do Cordeiro sobre o mundo e Satanás.
O primeiro cântico anuncia que Jeová reinaria sobre Israel.
O segundo cântico proclama o Senhor como “Rei das Nações”. (Ap 15:3)
Por meio da 1ª vitória Israel creu nEle.
Por meio da 2ª vitória todo o mundo chegará a reconhecê-lo como Senhor e o adorarão (Ap 15:4).
Somente Israel cantou o cântico.
Somente os salvos aprenderam o cântico.
Deus redimiu os escravos. O verbo se refere a uma liberação por meio de pagamento de um preço. Deus os comprou, de uma maneira especial pertenciam a Ele. O verbo “ga´al” (redimir) traz idéia de “fazer a função de um parente”. Eram varias as funções de redenção estipuladas no Antigo Testamento:
Resgatar uma propriedade vendida por um parente pobre (Lv 25:25)
Ser o vingador do sangue inocente derramado por um parente (Nm 35:19; Dt 19:6-10)
Casar-se com a viúva do parente para que continuasse o nome da família (Rt 3:12, 13)
No caso de Israel, Deus foi o parente mais próximo que os redimiu (Is 43:1; 41:14). Os hebreus, em seu trajeto rumo a canaã, se haviam livrado de todos os inimigos, que ou afundavam como pedras ou silenciavam-se como tais. Não havia ninguém, senão Deus, que poderia levantar-se por eles (Israel).
O Tetragrama, cuja conotação é eternidade e poder, é a única arma de Deus na guerra. Reis de carne e osso precisam de legiões e armamentos para guerrear, enquanto o Todo-Poderoso derrota seus inimigos apenas com Seu nome. Além disso, este nome que também representa sua misericórdia, é aplicado mesmo quando Deus castiga e pune seus inimigos, diferentemente dos reis mortais que não tem capacidade de praticar misericórdia e compaixão durante uma batalha.
Após uma viagem de caminho de 3 dias, o que indicaria um percurso de 40 a 50km (v. 3:18; 5:3). Com gado e uma grande quantidade de gente, havia acabado a água que tinham trazido consigo. Chegaram a encontrar águas, porém perceberam que elas não eram potáveis, as águas eram amargas, daí o nome “Mara” (v.23) significando “amargura”.
A situação era crítica, o problema de falta de água no deserto no mínimo indica uma projeção de morte, assim, disseram a Moisés: “Que havemos de beber?” (v.24), isso trouxe uma rebelião contra Deus que lhes havia já realizado grandes sinais.
A necessidade de água foi à fraqueza espiritual do povo de Deus. Um povo que esquecia facilmente os milagres do passado, que não conhecia a natureza do seu Deus no presente, que duvidava que Ele fosse estar no futuro, que precisava aprender mais sobre o Senhor e que fraquejava facilmente na fé.
As provisões de Israel trazidas do Egito, acabaram no segundo mês e eles murmuravam. Sua avaliação da libertação era tão baixa que eles desejaram morrer no Egito (Ex 14:11-12), ou seja, pela mão do Senhor, isto é, as pragas que mataram os Egípcios. Da forma como estavam posicionando-se, parecia até que haviam tido sempre abundância no Egito, que eram bem tratados e não lhes faltava nada.
Qual o significado bíblico do verbo “provar”? Nos versos que seguem e ao longo de toda caminhada no deserto, podemos interpretar a palavra “provou” com o seguinte sentido: Deus quis exercitar seu povo na observância de seus mandamentos através das experiências a que o submeteu. As águas não foram senão mais um teste, destinado a avaliar a consistência da força de sua fé.
A necessidade do homem ser examinado constantemente não traz qualquer tipo de benefício a Deus, mas sim ao homem. As provas passadas no deserto tem como único objetivo libertar o homem e capacitá-lo a agir com total liberdade espiritual em seu mundo.
Ao ser provado ou avaliado, o homem descobre haver discrepância entre sua fé e seu comportamento, isso pode ser provado pelo fato de que após o mar o povo pensou estar apto em sua fé, porém, descobrem serem ainda escravos das dificuldades impostas pelas condições ambientais adversas (por causa das águas de Mara).
Querido leitor, assim, cada prova consiste em um exercício espiritual que visa fortificar sua alma e modelar o espírito do homem.
A Deus seja a honra e glória.
Werber Marques


Teólogo Adventista


OSantuario.com.br

sábado, 7 de março de 2009

Análise do Êxodo- 2a Parte



Em êxodo capítulo 12, a narração das pragas é interrompida para dar atenção detalhada a instituição da Páscoa. Evidentemente o tema era de suma importância, não unicamente por que significava a salvação dos primogênitos de Israel, senão também que havia um simbolismo, uma projeção para o futuro.
A páscoa é a festa mais antiga de Israel, e o êxodo, podemos dizer ser o momento do nascimento de uma nação, estes eventos estão ligados intimamente. Cada vez que celebra-se a páscoa, recordam-se dos poderosos feitos divinos que iniciaram a história nacional. A fé se concretizou com a realidade histórica, o conceito de Israel da revelação histórica era único, recorda os feitos salvíficos que manteve a pureza da fé revelada frente ao subjetivismo do paganismo contemporãneo.
Em contraste com outras festas principais de Israel, a páscoa foi estabelecida como uma festa familiar. Se a família era demasiada pequena, podia dividir o cordeiro com o vizinho, de acordo com o número de pessoas (v.4). Parece que o propósito da lei era ter um número de gente suficiente para consumir o cordeiro. Posteriormente, as autoridades judias estipularam que o número mínimo que podia reunir-se para celebrar a páscoa eram 10 pessoas.
O cordeiro devia ser preparado o mais rapidamente possível. Não devia ser comido cru nem passado por água, pois um dos dois métodos tomariam mais tempo. Deviam comê-lo apressadamente, para sair imediatamente (v. 11). O povo de Deus devia ser um povo peregrino, preparado sempre para marchar a qualquer momento.
O pão devia ser sem fermento e de fácil preparação. O pão era símbolo da aflição sofrida no Egito (v. Ex 1:13, 14; Dt 16:3).
As ervas amargas (v. também representavam a vida amarga que passaram.
Com esperança e sentimento de urgência, deviam comer com as sandálias nos pés, o cajado na mão e lombos cingidos. Assim a primeira grande festa apresentava a comemoração dos judeus em alguns aspectos:
a) Ser livrado da morte. Somente os que reconheciam os méritos do sangue do cordeiro eram livrados.b) Requerer uma vitima cuidadosamente selecionada e preparada.c) Requerer uma cuidadosa preparação dos participantes
A páscoa celebrava o futuro sacrifício expiatório de Jesus Cristo.
A hora tão esperada havia chegado. A saída da nação Israelita do Egito foi triunfal, com regozijo partiram rumo ao Sinai, 600.000 mil homens, sem contar mulheres e crianças. Em um sentido matemático parece ser exorbitante e impossível, somando-se toda população certamente o número passaria da casa dos 2 milhões de pessoas. Com os israelitas, saíram tambem uma grande multidão de toda classe de gente (v. 38). Entre eles haviam elementos étnicos diferentes. Egípcios casados com israelitas (Lv 24:10), mulher etíope desposada por Moisés (Nm 12:1), midianitas que se juntaram (Nm 10:29), provavelmente outros escravos e fragmentos de grupos étnicos subjugados pelos egípcios. Pertencer a Israel não era questão de raça, mas de fé.
Foram 430 anos (v. 40) o período total de servidão no Egito.
Diante de todas as dificuldades, perigos e problemas que apresentam o deserto, Jeová não os guiou em sua rota mais curta, o que representaria passar pela terra dos filisteus, para que não se desalentassem e desanimassem com a guerra que teriam que enfrentar (v. 17). Não era prudente que Israel, recém liberto da opressão egípcia, tivesse contato com tão fortes exércitos filisteus. Israel não estava em condições de assumir a sua própria liberdade. Por certo, a rota que cruzava o território filisteu os faria chegar ao destino em um período bastante reduzido, 10 a 15 dias de viagens. Alguns estudiosos afirmam que o real percurso que fizeram levou 3 meses.
Um importante pensamento sobre o assunto diz: “Em vez de seguirem pelo caminho direto para Canaã, o qual passa através do país dos filisteus, o Senhor determinou a sua rota para o Sul, em direção às praias do Mar Vermelho. Se tivessem tentado passar pela Filístia, seu prosseguimento teria sido impedido, pois os filisteus, considerando-os como escravos escapados aos seus senhores, não teriam hesitado em mover-lhes guerras. Os israelitas estavam mal preparados para um encontro com aquele povo poderoso e aguerrido. Tinham pouco conhecimento de Deus e pequena fé nEle, e ter-se-iam aterrorizado e desanimado. Estavam desarmados, e não tinham o costume de guerrear, seu espírito estava deprimido pelo longo cativeiro, sentiam-se embaraçados pelas mulheres e crianças, ovelhas e gado. ” E.G.W., Patriarcas e Profetas, pág. 197.
Em seu primeiro dia de viagem Israel chega a Sucote, um lugar ainda dentro do território egípcio. Deste ponto em diante fica impossível traçar fielmente a rota, ao que se sabe deixaram o Egito pelo norte e foram ao deserto de Sur (13:18; 15:22).
Ao receber a notícia de que Israel andava errante e que o deserto o teria encurralado, o coração do faraó novamente se volveu contra o povo enchendo-se de esperança. Não era seu intento lutar contra eles, mas sim recapturá-los. O texto hebreu diz literalmente que faraó tomou 600 carros selecionados, os mais velozes.
Os israelitas tinham saído a vários dias, quando estes se deram conta que os egípcios vinham em sua direção, ficaram apavorados, o texto apresenta o verbo “clamar”, indicando uma queixa com grande angústia. Não era uma petição de salvação, senão era mais uma transferência de culpa para Deus por tê-los posto em tal situação. Para o faraó, o Senhor dos Exércitos não tinha sido feliz encurralando-os, não era um Deus estratégico e militarmente preparado. Mas o Senhor afirmara: “serei glorificado em faraó″.
O povo estava evidenciando sua débil fé, os muitos anos no Egito tinham feito uma profunda marca de desconfiança psicológica em suas mentes, a dura servidão tinha apagado a confiança em Deus.
O Senhor fala a Moisés para que o povo marche em direção ao mar. As vezes é mais fácil proclamar a fé do que praticá-la. Para Israel, pôr-se em marcha seria entrar no mar e molhar-se, para Moisés, seria o caminho da liberdade. Aos olhos dos israelitas não havia caminho livre, somente para cima, e exatamente de lá foi que veio a libertação deles. Quando não podemos deixar os problemas, devemos olhar por sobre nossos medos e contemplar a libertação que vem do alto, se Deus permite que o seu povo esteja em apuros, é que Ele sabe onde está a saída.
A silenciosa oração de Moisés prevalece diante de Deus mais que os fortes gritos de terror de Israel. A núvem e a coluna de fogo eram um muro entre eles e seus inimigos. A palavra e providência de Deus tem um lado negro e tenebroso para o pecado e os pecadores, mas um lado iluminado e agradável para o povo dEle.Aquele que separou a luz das trevas, faria agora clara distinção entre egípcios e israelitas, e isto seria relembrados pelos séculos vindouros.O capítulo 14 é uma continuação da história da saída iniciada em 13:17, e segue o tema do êxodo do Egito, com um renovado conflito entre Jeová e Faraó. Este capítulo tem sido grande influência para a fé bíblica. (Sl 106:6-12; Is42:13; 62:7-14; 1Co 10:1-2).
O Senhor revelou sua estratégia a Moisés (v.1). Jeová mandou que o povo desse a volta e acampasse junto a Pi-Hairote, entre Migdol e o mar. O Senhor estava preparando o cenário do confronto final.
A tentação econômica de manter a nação de Israel escrava no Egito produzindo riquezas era demasiada grande para faraó. Todavia não se dava conta de que o adversário era nada menos do que Jeová e não Israel. O Senhor daria logo a seguir, ao mundo, uma demonstração de seu grande poder.
Tragicamente, o faraó nunca quis admitir sua humanidade frente ao Senhor.
A entrada dos israelitas no mar era um tipo de conversão das almas, mas a entrada dos egípcios foi um tipo de ruína final dos pecadores impenitentes.
Aos primeiros passos dados pelo povo, altas paredes de águas foram formadas de ambos os lados, a mão de Deus às segurava para que “a menina de seus olhos” pudesse passar. Caminharam em seco pelo “fundo do mar”. O Senhor pode levar seu povo à dificuldades das maiores e abrir caminho onde não há.
Logo sobreveio a ira reta e justa de Deus sobre os inimigos do seu povo. Eles poderiam haver desejado a paz que tinha Israel, mas não quiseram, e tem sido sempre assim, os homens não se convencem até que seja demasiado tarde, quando sua causa seja sem esperança.Os Israelitas contemplaram os egípcios mortos, aos montes, na areia da praia. Aqui é o fim para o qual o cristão não deve esquecer-se jamais, se seus inimigos são fortes e poderosos, se os problemas são gigantes, mas você está apoiado por Deus, Ele segurará as ondas e os inimigos que você vê hoje, não os verá jamais.
Werber Marques

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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Batismo em nome de Jesus



Por que, em Mateus, Jesus falou para os discípulos batizarem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e em Atos o batismo é feito em nome de Jesus? – R.


Assim como oramos ao Pai, em nome de Jesus e pelo poder do Espírito Santo, o batismo bíblico é “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. O Pai não é o Filho. Se fosse, Jesus não oraria ao Pai. O Pai é uma pessoa da Divindade, e o Filho é outra pessoa da Divindade (cf. Mt 5:16, 48; 10:32; Ap 3:5; At 7:54-56; Mt 11:25; 4:6-10; Ef 1:3, 17; 3:14; Jo 14:16; Mc 13:32; At 7:56; Lc 23:46; Jo 8:42; 16:5; 10:36; 17:8; 4:24; 19:34; Mt 16:17; Lc 24:39; Jo 5:17-35; 20:17; Ap 3:12; Lc 2:7-16; 2:22, 26-33, etc.).

O Deus Filho não é o Deus Espírito Santo. Se fosse, Jesus não diria: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Ajudador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14:16). “Todavia, digo-vos a verdade, convém que Eu vá; pois se Eu não for, o Ajudador não virá a vós; mas, se Eu for, vô-lo enviarei” (Jo 16:7). (Veja também: Jo 5:32; 15:26; Ap 1:4, 5; 3:1; 4:5; 5:6; Is 11:2; 42:1-7; 61:1, 2; At 10:38; 1Jo 5:7; 2Co 13:14; Mt 12:31, 32; Mc 3:29, 30; Lc 12:10; At 8:5-25; Jo 5:19; 7:39; At 2:33, 34).

Portanto, são três as pessoas da Trindade.Se Deus Pai fosse o Espírito Santo, por que razão Jesus diria: “...em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”? Eles são citados por serem pessoas diferentes.

Em 1873, foi descoberto um manuscrito muito antigo, em pergaminho, intitulado Os Ensinos dos Doze Apóstolos ou Didaquê. É um dos manuscritos mais antigos. Contém 240 páginas e pode ser datado entre os anos 70 a 150 d.C. É um livro que não reclama autoridade apostólica, segundo consta nele próprio, mas reúne, em linguagem muito singela e em forma de manual, os ensinos que os apóstolos ministravam. O autor, cujo nome é desconhecido, teria colhido essas informações pessoalmente ou por tradição oral.

No capítulo 22, diz assim: “Agora, concernente ao batismo, o bispo ou presbítero, como já temos instruído, deve batizar conforme o Senhor ordenou ao dizer: ‘Ide por todo o mundo e ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’.” (Obs.: o interessante é que muitos opositores da verdade utilizam esse livro – o Didaquê – , quando lhes convém, para fundamentar suas idéias. Veja agora o que os líderes da primitiva igreja cristã disseram sobre o assunto do batismo:

Justino Mártir. Esse pastor da igreja apostólica viveu até o ano 165 d.C., quando foi martirizado. Veja o que ele escreveu sobre o batismo: “Todos quantos são persuadidos e creem nas coisas que nós falamos e ensinamos, como verídicas, e prometem viver de acordo com isso, recebem instrução e oram a Deus. Depois, são conduzidos por nós até um lugar onde haja água. Então, no nome do Pai e Senhor de todo o Universo, e do nosso Salvador Jesus Cristo e do Espírito Santo, eles recebem a purificação com água.”

Inácio (pastor que viveu nos últimos anos do primeiro século) escreveu: “Não há três Pais e nem três Filhos, e nem três Paracletos. Portanto, o Senhor, enviando os apóstolos a fazer discípulos de todas as nações, ordenou-lhes que batizassem no nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, não em três nomes, nem em três encarnações, mas em nome dos três de igual honra.”

Tertuliano (viveu entre os anos 160 a 240 d.C.) escreveu: “Ordenando que batizassem em o Pai, e o Filho e o Espírito Santo, e não em um só.”

Clemente de Alexandria (pastor que viveu de 150 a 213 d.C.) afirmou: “O homem batizado em Deus, entrou em Deus, e recebeu poder sobre escorpiões, para pisar serpentes – os poderes malignos. E aos apóstolos ordenou: ‘Ide pregar, e aqueles que creem, batizai-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo’.”

Poderíamos citar ainda Cipriano de Cartago (240-258 d.C.), Orígenes (184-254 d.C.), Dídimo de Alexandria, Basílio Magno e Calvino (Genebra, Suíça), mas não se faz necessário. Então, por que hoje alguns batizam só em nome de Jesus?

Costuma-se citar as seguintes passagens:

Atos 2:38 – “...seja batizado em nome de Jesus Cristo.”

Atos 8:16 – “...haviam sido batizados em o nome do Senhor Jesus.”

Atos 10:48 – “...batizados em nome de Jesus Cristo.”

Atos 19:5 – “...foram batizados em o nome do Senhor Jesus.”

Dessas quatro passagens realmente não se pode chegar à conclusão de que se deve batizar somente em nome de Jesus. Mesmo que o texto de Mateus 28:19 não existisse, tal interpretação traria muita confusão.

Afinal, qual é a forma correta de se batizar? “Em nome de Jesus Cristo”? (At 2:38; 10:48), ou “em nome do Senhor Jesus”? (At 8:16; 19:5).

A expressão “Em nome de Jesus”, especificamente, não existe em nenhuma passagem. E será que não é importante citar “Cristo” ou o “Senhor”? (ver Ec 3:14). Alguns foram batizados de um jeito. Outros, de forma diferente.

O historiador Flávio Josefo menciona pelo menos 13 homens chamados “Jesus”, que viviam na época em que Cristo nasceu. Portanto, esse era realmente um nome muito comum. Se fosse verdade que “Jesus” constituísse o nome oficial de Deus, seria uma grande blasfêmia colocar esse nome nos filhos. Os judeus jamais fariam tal coisa.

A designação completa para o Deus Filho é: O Senhor Jesus Cristo. “Senhor” indica Sua divindade (Ele é Deus); “Jesus” é o nome de Sua humanidade (Ele é Homem); “Cristo” se refere a Sua posição de Messias, o Ungido de Deus.Sem dúvida, as quatro passagens referidas acima não tratam da “fórmula” usada pelos apóstolos ao realizar os batismos, mas sim da autoridade com que realizavam os batismos. Naturalmente, essa autoridade é do Senhor Jesus Cristo.

Jesus foi crucificado como impostor, perturbador da paz e inimigo do povo. A divindade de Jesus não foi aceita pelo povo judeu, por isso os discípulos deixaram claro que o batismo por eles realizado era por ordem de Jesus, e sob Sua autoridade. Portanto, era fundamental para o estabelecimento do cristianismo no mundo que as pessoas aceitassem a Cristo como Filho de Deus.

Leia com bastante atenção Mateus 7:21-23. O nome de Jesus é muito importante, no entanto, mais importante que o nome é o próprio Jesus. E Jesus disse: “Batizai em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28:19). Se Jesus disse, quem somos nós para dizer diferente? A oração, nós a fazemos “em nome de Jesus”, pois essa foi a ordem: “Se pedirdes alguma coisa em Meu nome, Eu a farei” (Jo 14:14). Só batizaríamos [nós adventistas] “em nome de Jesus”, se em Mateus 28:19 estivesse escrito assim: “Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em Meu nome.” Como não está escrito dessa forma, preferimos ficar com o que ordena a Palavra de Deus.


(Vanderlei Ricken)


quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Parousia em 1914?



Existe um grupo religioso que afirma ter Jesus voltado “invisivelmente” em 1914. Isso procede? A.

Evidentemente que não.

Existem vários textos bíblicos que demonstram a falsidade dessa idéia:

Os santos não ressuscitaram (1Ts 4:16)

Os vivos não foram arrebatados (1Co 15:22, 23)

Os maus não foram destruídos (2Ts 2:8; Lc 17:23-30)

“Todo olho” não viu Jesus em 1914 (Ap 1:7)

“Todas as tribos da Terra” não têm “olhos espirituais”, contudo, verão a Cristo (Mt 24:30, 31)

A Santa-Ceia (Culto Memorial) deve ser realizada “até que Ele venha”. Se já veio, para que realizá-la? (1Co 11:26 ARC)

O sinais de vinda de Jesus são para advertir-nos (Mt 24:42-44). Se Jesus já está aqui, os sinais são agora inúteis?Cristo intercede hoje por nós (Hb 7:25; ver também Hb 8:1, 2). Se Cristo já “veio” em 1914, terminou a intercessão? Ninguém mais tem a salvação? Para que pregar, então?


As “testemunhas de Jeová” foram ensinadas, por anos, que o segundo advento invisível de Cristo ocorreu em 1874. A data foi depois alterada para 1914. O interessante é que a Torre de Vigia publicou os livros O Mistério Consumado, Criação e Profecia respectivamente em 1917, 1927 e 1929, ainda ensinando 1874 como o tempo da parousia.

Logo, esses “olhos do entendimento” não entenderam nada sobre o assunto da vinda de Cristo por quase 30 anos!

Note, por exemplo, esta citação: “Por ocasião do segundo advento, em 1874...” (O Mistério Consumado, série 7 de Estudo nas Escrituras, p. 167). Livro publicado três anos depois de 1914. Cronologia furada Não há relação alguma entre Daniel 4 e Lucas 21:24 (“Tempos dos Gentios”), como querem as “testemunhas de Jeová”.

Daniel 4:28-34 indica que a profecia se cumpriu com o próprio Nabucodonosor, não depois.607 a.C., tido pelas “testemunhas” como o ano da desolação de Jerusalém e início do cativeiro babilônico, não tem confirmação de nenhum historiador ou arqueólogo de gabarito, nem mesmo dos citados pela Torre de Vigia, como E. Thiele, J. Finegan, J. Pritchard, etc. 2 Reis 25:1 fala do último cerco de Jerusalém no nono ano do reinado de Nabucodonosor, ou seja, 588 a.C. Esse cerco durou dois anos, chegando, portanto, a 586 a.C. Essa data foi admitida até por Raymond Franz, autor do verbete “cronologia” em Ajuda Para o Entendimento da Bíblia, editado pela Torre de Vigia. Franz abandonou a organização – mesmo sendo membro do “Corpo Governante” – após perceber a falta de fundamento histórico da data 607 a.C. (Raymond Franz é sobrinho de Frederick Franz, presidente das “testemunhas” até 1992 e autor da versão bíblica Novo Mundo.)


Outro detalhe: 4/5 de outubro de 1914 é tido pelas “testemunhas” como a data da entronização de Cristo como Rei celestial (Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos, p. 230). Para eles, em outubro de 1914 ocorreu (1) a entronização de Cristo no Céu, representada pelo cavaleiro do cavalo branco que sai para a vitória – Ap 6:2; (2) o início da “vinda secreta” de Cristo; (3) o começo da rebelião de Satanás e a guerra no Céu – Ap 12:2; (4) a derrota e expulsão de Satanás para a Terra – Ap 12:8-10.

Acontece que a I Guerra Mundial começou em 28 de julho, quando a Áustria declarou guerra à Sérvia, devido ao assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austríaco. Foi esse fato que precipitou toda a Europa e o mundo na guerra.

Assim, em princípios de outubro, nação já se havia levantado contra nação e reino contra reino, o que não se ajusta à interpretação da Torre de Vigia quanto ao tempo do cumprimento de Mateus 24:6 e 7. Outro problema: pela interpretação jeovista, o cavalo vermelho sai antes do cavalo branco (Ap 6:4)! As nações, na verdade, iram-se no fim do tempo (ver Ap 11:18).

Parousia Leia Filipenses 1:26 e 2:12; 1 Coríntios 16:17; 2 Coríntios 10:10.

Nessas passagens há o emprego da palavra parousia, e elas deixam evidente que ela não existe o significado de “invisível”. A verdade sobre a 2ª vindaAtos 1:11 – Jesus subiu ao céu visivelmente e anjos afirmaram que Ele voltará da mesma maneira.Mateus 24:27 e 30; 26:64; Marcos 13:26; Lucas 17:24; Tito 2:13 – A vinda de Cristo, além de visível, será em glória. Mateus 24:26 e 27 –


Não devemos dar crédito aos que dizem saber quando e onde Cristo voltará.


Michelson Borges

domingo, 18 de janeiro de 2009

Pedro: o primeiro papa?



Por que, dentre todos os apóstolos, o único que teve o nome mudado foi Pedro? E por que o nome foi mudado justamente para “Pedra”? Por que todos os evangelistas, quando citam os apóstolos, sempre começam por Pedro ou Simão? Por que, num momento de tantas dúvidas dos discípulos sobre o cumprimento ou não da lei nos quesitos alimentares, é exatamente Pedro que tem a visão que fecha o assunto. Por que Deus parece querer sempre revelar a verdade por meio de Pedro? – B.
Prezada B., o nome de Pedro foi mudado para “pedregulho” (tradução de petrus) porque ele seria uma das bases da Igreja, que é fundamentada sobre a Pedra (petra, no grego). Pedro foi um líder importante da igreja cristã primitiva, mas a Bíblia menciona outros líderes como Tiago. Por ser mais impulsivo e enérgico, Pedro acaba se destacando.Através de Mateus 16:16-20 tenta-se fazer crer que o apóstolo Pedro teria recebido de Cristo as “chaves dos Céu”, tornando-se, assim, o primeiro papa, ou cabeça visível da Igreja. Não é bem assim.
Como este assunto é de fundamental importância, convido-o a procurar as referidas passagens em sua própria Bíblia:
1. De acordo com o próprio apóstolo Pedro, quem é a Pedra ou líder (cabeça) da Igreja? (ver Atos 4:8-12; 1 Pedro 2:4-8).
2. O que Paulo diz sobre o “fundamento da Igreja”? (1 Coríntios 3:11).
3. Discussão dos discípulos de Jesus (Mateus 18:1; Marcos 9:33-35; Lucas 22:24-26). Obs.: Essa discussão se deu após o suposto “primado” de Pedro. Se Cristo houvesse estabelecido Pedro como o “chefe”, os discípulos não teriam discutido sobre quem era o maior.
4. Paulo repreende a Pedro (Gálatas 2:11-16). Obs.: Segundo a concepção católica, o papa é infalível em matéria de fé e, portanto, seria um tanto estranho Paulo repreender ao “líder infalível”.
5. Quem cuidava da Igreja não era apenas Pedro (Atos 6:2; 14:22-25; 15:13,19; 12:17; 21:18; 1 Coríntios 15:7; Gálatas 2:9; Efésios 2:20; Apocalipse 21:14).
6. Em termos espirituais, é errado chamar alguém de pai (papa) (Mateus 23:9).
7. A Bíblia não autoriza que se ajoelhe diante de homens (Atos 10:25-26). Obs.: Também considera blasfêmia homens perdoarem pecados (ver Mateus 9:2-3; Marcos 2:7). Não se deve zombar de Deus fazendo o que Ele não permite (Gálatas 6:7; Apocalipse 19:10).
8. Pedro não possuía ouro nem prata, ao contrário do que se vê hoje no Vaticano (Atos 3:6).
9. Pedro era casado, contrariando o celibato (Mateus 8:14).
10. Jesus repreende a Pedro (Mateus 16:22-23). Obs.: Como Cristo poderia dizer “afasta te, satanás”, se Pedro fosse o papa?!?
11. Em Mateus 18:15-18, fica claro que o poder de “ligar e desligar” é da Igreja e não de alguém em especial. Aqui Jesus usa a expressão “ligardes” e “desligardes” no plural. A “chave”, como se nota em Lucas 11:52, é a própria Bíblia, pois ela pode nos garantir a entrada no Céu (leia João 5:39).
12. Então, quem é a verdadeira Pedra? (Efésios 2:19-22; Colossenses 1:18). Obs.: Como já indiquei acima, no grego, língua em que foi escrito o Novo Testamento, a palavra “pedra” tem duas grafias no texto: “...tu és petrus e sobre esta petra edificarei Minha Igreja.” Petrus significa pedra pequena, pedaço; e petra, Rocha. Cristo não poderia edificar a Igreja sobre algo tão inseguro quanto uma petrus. Por isso a Petra, a Rocha que é Cristo, é o único fundamento e “ninguém pode pôr outro” (1 Coríntios 3:11).
13. A “infalibilidade” do papa foi criada em 1870 pelo Concílio do Vaticano. Mas foi Leão I que deu ênfase ao primado de Pedro entre os apóstolos, ensinando que o que Pedro possuíra havia passado aos sucessores. Em 445, Leão I conseguiu que o Imperador do Ocidente, Valentiniano III, promulgasse um edito ordenando a todos que obedecessem ao Bispo de Roma – o papa – como portador que era do “primado” de Pedro. Entretanto, os autores católicos dos primeiros quatro séculos jamais defenderam, baseados em Mateus 16:18, que Pedro tenha recebido de Cristo qualquer primazia ou que ele tenha entregue esse poder aos bispos de Roma. Irineu e Eusébio estão de acordo nesse ponto: o primeiro bispo (ou papa) da Igreja de Roma foi Lino (ver História Eclesiástica de Eusébio, Livro III, c. 2).
Só para concluir, o notável gramático Eduardo Carlos Pereira nos chama a atenção para a forma do demonstrativo empregado – “esta” e não “essa”. “Esta” refere-se à pessoa que fala e “essa” à pessoa com quem se fala. Se a pedra fosse Pedro, o demonstrativo usado seria “essa” e não “esta”.Que Deus a abençoe em sua procura pela verdade.

(Michelson Borges)