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terça-feira, 24 de novembro de 2009

sábado, 14 de novembro de 2009

O FIM DO MUNDO


Nesta semana vi que a revista “Veja” traz na capa a seguinte matéria: “O Fim do Mundo”.
Leia aqui alguns trechos: “O ano de 2012 tornou-se o centro de gravidade do fim do mundo por uma confluência de achados proféticos. Primeiro, surgiu a tese de que a Terra será destruída com a volta do planeta Nibiru em 2012. Depois, veio à tona que o calendário dos maias, uma das esplêndidas civilizações da América Central pré-colombiana, acaba em 21 dezembro de 2012, sugerindo que se os maias, tão entendidos em astronomia, encerraram as contas dos dias e das noites nessa data é porque depois dela não haverá mais o que contar. Posteriormente, apareceram os eternos intérpretes de Nostradamus e, em seguida, vieram os especialistas em mirabolâncias geológicas e astronômicas com um vasto cardápio de catástrofes: reversão do campo magnético da Terra, mudança no eixo de rotação do planeta, devastadora tempestade solar e derradeiro alinhamento planetário em que a Terra ficará no centro da Via Láctea – tudo em 2012 ou em 21 de dezembro de 2012.

“Com tantas sugestões, a profecia ganhou as ruas. No dia 13 de novembro, terá lugar a estreia mundial de 2012, uma superprodução de Hollywood que conta a saga dos que tentam desesperadamente sobreviver à catástrofe final. No site da Amazon, há 275 livros sobre 2012. Nos Estados Unidos, já existem lojas vendendo produtos para o apocalipse. Os itens mais comercializados são pastilhas purificadoras de água e potes de magnésio, bons para acender o fogo. É sinal de que os compradores estão preocupados com água e fogo, numa volta ao tempo das cavernas. Na Universidade Cornell, que mantém um site sobre curiosidades do público a respeito de astronomia, disparou o número de perguntas sobre 2012. Há os que se divertem, pois não acreditam na profecia. Entre os que acreditam, os sentimentos vão da tensa preocupação, como é o caso de Patrick Geryl, autor de três livros sobre 2012, todos publicados no Brasil, até o pavor incontrolável. O fim do mundo é uma ideia que nos aterroriza – e, nesse formidável paradoxo que somos nós, também pode ser a ideia que mais nos consola. Por isso é que ela existe. (retirado do site http://www.criacionista.blogspot.com/)

Mediante esta situação de “destruição final” que muitos acreditam, se eu cresse me sentiria um nada, e até daria razão a estes que não estão nem ai com a “hora do Brasil”.

Entretanto, não creio nestas profecias baratas que são enfatizadas por um mercado publicitário que está “muito preocupado” em passar esta informação. Aliás, eles se preocupam bastante com suas contas bancárias e se divertem ao máximo com estas notícias “importantíssimas”, que mudarão o mundo.

Contudo, acredito que este mundo terá um fim, não em 2012, nem tão pouco sei a data, mas sei os fatos que antecedem este fim e gostaria de compartilhar com você.
Iremos estudar juntos a partir desta semana sobre a Palavra de Deus, a Bíblia, que é o único meio de comunicação capaz de revelar os segredos do fim. O livro será o Apocalipse, ou Revelação.

O tema será “Profecias para o Tempo do Fim” e teremos 24 maravilhosas lições para compreendermos melhor todo o contexto sobre o fim.

Qualquer dúvida é só passar um email para:
contato@averdadeestanabiblia.web.br.com

Não perca a oportunidade de conhecer qual o seu papel no “Tempo do Fim”.

Teremos as seguintes ferramentas para te ajudar:
(O estudo em seu email – se cadastre no Feed do blog, um comentário do estudo no blog http://www.averdadeestanabiblia1.blogspot.com/ e um vídeo sobre o assunto que também estará disponível no blog – durante a semana).

Aceite este chamado de Deus para sua vida.

Abraço e vamos iniciar o nosso estudo.


sexta-feira, 26 de junho de 2009

A parábola do rico e Lázaro

Lucas 16:19-31
19 Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente.
20 Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras;
21 o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras.
22 Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado.
23 No inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio.
24 E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.
25 Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que em tua vida recebeste os teus bens, e Lázaro de igual modo os males; agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado.
26 E além disso, entre nós e vós está posto um grande abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os de lá passar para nós.
27 Disse ele então: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai,
28 porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham eles também para este lugar de tormento.
29 Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos.
30 Respondeu ele: Não! pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender.
31 Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.


O J. insiste na “dificuldade” de Jesus ter narrado a parábola do rico e Lázaro recorrendo a noções de idéias populares entre os judeus, o que para ele seria inadmissível. Essa dificuldade já explicamos e superamos, mostrando que no próprio contexto da famosa parábola há outra que, se considerada literalmente, oferecerá grandes dificuldades também—estaria Jesus ensinando esperteza nos negócios, já que o “mordomo infiel” trata de resolver negócios futuros que lhe sejam favoráveis ao máximo, quase no estilo dos espertalhões no mundo dos negócios que agora estão até cumprindo pena por crimes financeiros nos EUA e outros países (casos recentes da Parmalat, Health South, Enron, Cisco). Seria algo nessa linha que Cristo estaria ensinando? Claro que não. Temos que buscar ver a real intenção do ensino ilustrado na parábola, como se dá também com a do rico e Lázaro.

Em parte alguma a Bíblia aprova práticas de administração desonesta, mas a lição da parábola é “das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que quando estas vos faltarem esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos”. (Luc. 16:9), não visa a ensinar a desonestidade nos negócios, obviamente.

Também ficar preso a certa linguagem de um texto que não tem respaldo do ensino global das Escrituras é um sério problema, como o próprio uso de linguagem alegórica de Cristo ao falar de como é preferível arrancar um olho, ou braço, ou perna que levaram alguém ao pecado a ir para o inferno com corpo inteiro (Mar. 9:43-45). Será que no céu haverá pernetas, manetas, caolhos?

Mar. 9:43-45
43 “E se a tua mão te fizer tropeçar, corta-a; melhor é entrares na vida aleijado, do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga.
44 [onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.]
45 Ou, se o teu pé te fizer tropeçar, corta-o; melhor é entrares coxo na vida, do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno.”

Clarissimamente Cristo NÃO TEM INTENÇÃO de ensinar a imortalidade da alma nesta parábola, pois JAMAIS ensinou isso em qualquer outra parte dos evangelhos, nem é ensinado em qualquer outra parte da Bíblia. Pelo contrário, Cristo negou isso ao enfatizar a ressurreição dos mortos como única possibilidade de se alcançar a vida e que esta será concedida quando de Seu retorno glorioso (ver João 5:25, 28, 29 e 14:1-3).

João 5:25, 28, 29
25 “Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão.
28 Não vos admireis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão:
29 os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.”

João 14:1-3
1 “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.
2 Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar.
3 E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.”

Aliás, nem as palavras “alma” ou “espírito” aparecem na parábola em discussão. O que Ele apresenta é um quadro da justiça divina—quem neste mundo vive indiferente a princípios de justiça e misericórdia, pode pensar que leva a melhor sobre tudo e todos, mas as coisas, na consideração divina, serão invertidas no devido tempo.

Artigos já postados lançam luz adicional sobre como a tradição judaica encarava a questão do “seio de Abraão”, “hades”, etc. e o uso de uma ilustração de algo apenas parcialmente firmado em crendice popular é normal e comum entre pregadores. Histórias de extraterrestres visitando o planeta são exemplos de recursos desses. A Bíblia apresenta duas ilustrações de plantas que conversam em Isaías 14:8 e Juízes 9:8ss (“Até as faias se alegram sobre ti, e os cedros do Líbano, dizendo: Desde que tu caíste ninguém sobe contra nós para nos cortar”; “Foram uma vez as árvores a ungir para si um rei; e disseram à oliveira: Reina tu sobre nós. . . .”).

Seria o caso de perguntar ao J.—se a Bíblia é um livro que somente devia apresentar a verdade, como pode valer-se de algo tão absurdo quanto a noção de árvores que conversam?
Pois bem, a “dificuldade” que o J. nos levanta foi resolvida. Que tal agora ele enfrentar também 10 dificuldades que lhe apresentamos com relação à noção que defende—de que a parábola do rico e Lázaro “prova” a crença na imortalidade da alma?

1 – Como ele explica que na parábola do rico e Lázaro não aparece nada de “alma” e “espírito” e sim pessoas normais interagindo, se o seu objetivo é ensinar a imortalidade da alma?

2 – Como explica almas que têm olhos, dedos, língua que pode ser molhada?

3 – Sendo que o condenado apela a Abraão, não poderiam os católicos justificar o seu ensino de “intercessão dos santos” mediante tal relato hipotético?

4 – Como explica que na própria parábola, ao final a ênfase na ida de algum dentre os mortos para pregar aos irmãos do condenado, o personagem Abraão fala em “ainda que RESSUSCITE alguém dentre os mortos. . .” (vs. 30 e 31), confirmando que só a ressurreição é o caminho do retorno de quem morreu à existência?

Lucas 16:30,31
30 “ Respondeu ele: Não! pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender.
31 Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.”

5 – Como explica o relato de conversação entre árvores nas Escrituras, sendo isso inteiramente fora de propósito, em termos normais?

6 – Como explica a necessidade de atenção especial para entender a parábola que vem exatamente antes desta, do mordomo infiel, pois literalmente fica a impressão de que Cristo está ensinando pessoas a agirem aeticamente no campo dos negócios?

7 – Poderia explicar como a linguagem do mesmo Cristo em Marcos 9:43-45 não pode ser entendida literalmente, já que ninguém deve arrancar mesmo membros do corpo para obter a salvação, e no céu não haverá realmente manetas, pernetas ou caolhos?

Marcos 9:43-45
43 “E se a tua mão te fizer tropeçar, corta-a; melhor é entrares na vida aleijado, do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga.
44 [onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.]
45 Ou, se o teu pé te fizer tropeçar, corta-o; melhor é entrares coxo na vida, do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno.”

8 – Poderia dar exemplo de alguma doutrina básica da fé Cristã que tem por base uma parábola?

9 – Se Cristo quis ensinar a natureza dualística do homem por esta parábola, por que tal ensino JAMAIS é encontrado em qualquer outra parte de Seus ensinos?

10 - Sendo que não haverá lembrança das coisas más do passado, como um pai ou mãe podem esquecer-se dos sofrimentos de um filho que esteja eternamente em torturas, sendo que a vizinhança de céu e inferno é de tal monta que se pode ver de um lado o que se passa do outro?

Assim, amigos, esse negócio de ficar teimando, e teimando e teimando sobre um determinado ponto, levantando objeções com base em suposta dificuldade enquanto se ignoram outras dificuldades que podem ser levantadas para solução da parte do objetante não é justo nem parece tornar sua objeção convincente.

Prof. Azenilto G. Brito
Ministério Sola Scriptura
Bessemer, Ala., EUA

Fonte: http://www.azenilto.com/01-DIFICULDADE.html

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Análise do Êxodo - 5a Parte (fim)

[ O pacto e a Lei no Sinai ]
Alguns temas vem a ser vitais ao ensino no A.T, as promessas acompanham a eleição e a lei acompanha o pacto. As promessas não devem interpretar-se independentemente do propósito da eleição divina do povo, nem tampouco deve separar-se o propósito da lei do contexto do pacto.
Deus elegeu o povo para ser um instrumento de sua redenção ao mundo, as promessas são meios para cumprir o propósito da eleição. Os eleitos foram livres para aceitar ou rejeitar a oferta de Deus. Ao aceitá-la entrariam no pacto com o Senhor. O pacto se baseava sobre a graça de Deus e a resposta livre dos homens deveria ser por fé.
Durante a morada de 1 ano próximo ao Sinai (19:1; Nm 10:11-12), sucederam 3 feitos de suma importância:
Deus apareceu ao povo como havia aparecido antes a Moisés;
Deus estabeleceu um pacto com Israel;
Deus deu a lei para indicar a natureza do pacto e para guiar no cumprimento de suas obrigações.

Depois de viajar por quase 3 meses, o povo chegou ao deserto do Sinai (v.1). O ambiente é um lugar isolado, silencioso, árido e rochoso. Os visitantes falam de um maciço de granito rosado encontrado no pico, apresentando-o majestosamente.
As palavras começaram com: Agora pois se… (v.5). A entrada de Israel no pacto seria o resultado de sua própria e livre eleição. Para poder eleger, era necessário escutar a voz de Deus (v.5; Rm 10:13-15). Uma vez eleito, o pacto tinha que ser observado de acordo com as condições estabelecidas por Deus. A eleição de Israel não era resultado de sua obediência, senão que sua obediência era o resultado de sua eleição. O pacto foi central para a fé de Israel. Ninguém é salvo por obedecer, mas pela fé este entra no pacto e por estar salvo torna-se obediente. Ex: “ninguém terá sua salvação garantida por apenas nunca roubar, mas certamente se é um ladrão não poderá entrar no reino de Deus”. Deus primeiro liberta uma nação para só então exigir dela obediência. Cristo primeiro nos liberta do pecado para somente então exigir de nós obediência a seus mandamentos.
3 importantes razões deviam estar relacionadas com o propósito divino de eleger a Israel:
Deviam ser um povo especial;
Deviam ser um reino de sacerdotes;
Deviam ser uma nação santa.

Um povo especial – A tradução da palavra [segullah], que pode significar um tesouro especial de um rei (1Cr 29:3; Ec 2:8) pode referir-se simbolicamente a Israel como um tesouro especial (Dt 7:6; 14:2; 26:18; Sl 135:4; Ml 3:17). Na antiguidade o rei era considerado dono de todo o seu país, tinha um palácio com um quarto onde guardava-os, ali podia tocá-los e satisfazer-se em tê-los. Esse lugar era o [segullah], quando Deus disse que Israel seria para ele um povo especial entre todos os povos, estava querendo dizer que desejava tê-los em um quarto para satisfazer-lhe os desejos de Pai e tê-los sempre por perto e apreciar-lhes.
Um reino de sacerdotes – Na LXX a tradução “um sacerdócio real”, e 1Pd 2:9 segue esta tradução, bem como Ap 1:6; 5:10; 20:6. Das possíveis interpretações a frase temos:
Todos os israelitas tornar-se-iam sacerdotes, assim todos teriam direito de acesso livre a Deus, posteriormente Martinho Lutero comenta sobre “o sacerdócio de todos os crentes”, referindo-se a este assunto.
Israel mesmo ia ser uma nação-sacerdote. Não que a nação seria composta por apenas sacerdotes, mas que ela serviria como uma nação sacerdotal. Estaria para ser, pelos projetos de Deus, a intermediária entre Deus e o restante de outras nações, para guiá-los até o Senhor, assim como a função sacerdotal era se por entre o Senhor e seu povo.

De qualquer maneira era desejo do onipotente que Israel fosse uma nação missionária para o mundo. Das opções acima, a segunda parece mais coerente.
Uma nação santa – A missão de Israel estava fundada em caráter moral. O povo especial, a nação missionária teria que refletir a natureza do seu Rei que representava, deveria ser separada e apartada porque pertencia a Deus. A entrega implicava em responsabilidade e para cumprir a nação teria que viver uma vida santa.
O Senhor não forçou o pacto, os anciãos eram livres para aceitar ou rejeitar. A uma só voz todo o povo disse: “tudo que o Senhor disser faremos”. O pacto foi oferecido livremente e aceito livremente. Assim, após Moisés ter dito a resposta do povo, Deus falara que iria cercá-los com uma nuvem densa para que o povo escutasse-o.
Agora estava preparado o cenário para receberem o decálogo.
Os 10 mandamentos ou 10 palavras, são princípios fundamentais éticos para a vida em todos os tempos, formaram a base para a legislação de Israel. O povo eleito necessitava de uma constituição e o Senhor os deu em forma de decálogo.
Tal como uma criança precisa aprender a obediência antes de entender por qual razão está obedecendo, o povo precisava passar pelo temor, falta de razão, antes de poder compreender uma relação que deveria sempre ser por amor.
Os dez mandamentos são regras éticas que servem de guia para os indivíduos e proteção para a comunidade, contra abusos particulares favorecendo o bem-estar entre o povo.
Tal lei é distinta das idéias farisaicas criadas por homens amantes dos empecilhos e obstáculos capazes de impedir muitas pessoas de irem até Deus.
Os mandamentos foram postos em duas tábuas de pedra, é bastante adequado que os mandamentos da primeira tábua fossem primeiramente referentes a Deus, pois o homem tem um criador para amar antes, depois um próximo para amar.
A lei está disposta em Ex 20 da seguinte forma:
O primeiro mandamento afirma a existência e o governo de Deus. Não discute o assunto, simplesmente o declara. Seus atributos naturais: onipotência, onisciência e onipresença o fazem digno de governar nossa vida. O primeiro mandamento nega o politeísmo, o ateísmo e o materialismo. Aqui se proíbe amar, desejar, deleitar-se ou esperar algo bom de qualquer forma ou outra fonte que não seja Deus.
O segundo mandamento proíbe a representação e adoração da deidade: em forma angelical (v. 4), forma humana ou animal (v. 4b), forma de peixe ou mamífero aquático (v. 4c). A razão lógica é: Deus é espírito e devemos adorá-lo em espírito. A razão ética é: é mal e passível de castigo. O cristão deve ser consciente de que o Senhor está em todo lugar e não há necessidade de sua representação. Representações gráficas de histórias e situações devem ser usadas apenas para ensinar, NUNCA VENERAR. Se proíbe também toda classe de superstição e emprego puramente humanos para a adoração a Deus.
O terceiro mandamento tem sido mui desprezado, pois deve haver uma reverência ao nome de Deus. O nome de Deus o define. Portanto o nome dEle deve ser respeitado. Se proíbem os votos falsos e piadas profanas a seu nome ou coisas sagradas.
O quarto mandamento é apresentado de duas maneiras: entendemos não ser a primeira vez que este é dado [lembra-te] e que o povo certamente o esqueceria no futuro [lembra-te]. Um dia de cada sete, seis dias dedicam-se aos assuntos da vida secular, mas o sétimo somente as coisas sagradas ou inevitáveis (caridade, piedade etc). Comercializar, pagar salários, estudos seculares e etc não devem ser feitos. Esse mandamento está como único que nos faz lembrar de Deus como criador.
O quinto mandamento apresenta que a vida familiar sendo muito importante para o povo hebreu, traz a necessidade da restauração dos lares e devolver aos pais o seu devido respeito (o que não vemos hoje). Demonstrar afeto aos pais, respeito, gratidão, não causar-lhes constrangimento ou dor, estar preparados para prover-lhes ajuda e conforto e obedecer-lhes até que não firam os princípios divinos. Esse mandamento é por demais importante, pois bons filhos são bons cidadãos, famílias fortes são uma nação forte.
O sexto mandamento apresenta o respeito à vida. Os homicídios, violência e crimes aumentam dia-a-dia. Assassinatos, abortos (que é outro nome para homicídio), linchamentos por turba violenta, suicídio, pena de morte, guerras, tais coisas são transgressão do mandamento.
O sétimo mandamento é uma proteção ao que vemos também ao nosso redor: libertinagem sexual, prostituição, doenças sexualmente transmissíveis etc. O matrimônio é uma instituição de origem divina. A infidelidade simboliza o rompimento completo do matrimônio. A família é uma célula básica da sociedade, um baluarte da democracia. Esse tipo de problema tem efeitos profundos nos filhos. Nesse mandamento encontramos a melhor prevenção para a cura da AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis.
O oitavo mandamento nos diz da necessidade da ordem no mundo através da honestidade. Ensina também a importância de trabalharmos para conseguir realizar nossos próprios sonhos.
O nono mandamento nos ensina que as palavras ditas contra a reputação de uma pessoa são como as plumas de uma almofada: uma vez lançadas ao vento não podem mais voltar ao seu lugar de origem. Proibição ao perjúrio, mentira, calúnia, disseminação de falsas idéias, difamação. Da veracidade depende a justiça.
O décimo mandamento apresenta que tal problema está em todas as partes e ataca a todos. A ganância é a raiz de muitos pecados: adultério, avareza, corrupção etc.

Os mandamentos dão vida, não morte. O pecado produz a morte. Os mandamentos são guias para que vivamos melhores. A atitude que você tem diante da polícia depende da natureza de suas obras. Da mesma maneira a atitude que temos com os dez mandamentos depende de quem somos. Eles são amigos e guias para a comunidade, para manter a ordem. Jamais quebraremos mandamentos a menos que sejamos desordeiros espirituais ou infratores da lei.
A Deus seja a honra e glória.


Werber Marques

Teólogo Adventista

OSantuario.com.br


quarta-feira, 22 de abril de 2009

Análise do Êxodo - 4a parte


[O Maná, a Rocha ferida e a guerra contra os Amalequitas ]


(Ex 16:15; 17:6; 17:8)


Após as águas amargas, os eventos que se seguem são: o maná, a água que sai da rocha e a luta contra os Amalequitas, tudo isso ainda antes do Sinai.
Mais murmuração se seguia por parte do povo, contra Moisés e Arão (v. 2; 14:11, 12; 15:24; 17:3, etc.), desta vez algo muito sério, acusavam aos líderes de terem tirado-os do Egito para morrerem com falta de alimento no meio do deserto, tinham tal convicção em suas acusações que chegaram a expressar “…quem nos dera ter morrido na terra do Egito…” (16:3).
Outra vez se evidencia em que o povo tinha uma memória muito curta achando que sua liberdade seria grátis ou tão simples. Não queriam pagar nenhum preço pela mesma.
Deus responde a necessidade legitimamente e promete “pão do céu” diariamente (v.4) e para aquela tarde “carne para comer” (v.8), porém, em troca, seriam postos a prova para ver se andariam na lei divina.
Diariamente sairiam para comer o pão que cairia no deserto, para cada pessoa, por dia, no sexto dia o Senhor lhes ordenou que colhessem em dobro (v.4, 5). Moisés fala novamente que o povo veria a glória de Deus, pois na realidade tanta murmuração não era contra seus líderes (Moisés e Arão) mas contra o próprio Deus.
Vieram codornizes e cobriram o acampamento, ao amanhecer havia uma capa de alimento por sobre o lugar (v. 13; Nm 11:31-33), pão do céu. Então perguntaram: “o que é isto”? (v.15, 31; Nm 11:7-8). As codornizes são uma espécie da ordem das galináceas, no outono migram para Europa e África e na primavera regressam em grandes bandos formando uma grande nuvem, assim podemos ter uma idéia da cena que se seguia.
O nome hebraico para o pão é “man”, se deriva da tradução da LXX de Nm 11:6,7. O maná foi o alimento enviado por Deus para alimentar o povo de Israel quando estavam viajando pelo deserto a caminho da terra prometida. Era uma massa alimentícia que pela manhã estava ao alcance das pessoas enquanto o sol não o derretesse. Esse milagre aconteceu durante 40 anos, até quando eles entraram em Canaã. Havia uma porção do maná na arca como símbolo da Proteção e Cuidado Divinos. (Ex 16:4).
O Senhor enviava o maná ao deserto, ele não caia ao lado das cabanas/barracas do povo, então, quem estivesse com fome teria duas opções: permanecer com fome ou levantar-se e ir em busca de seu próprio alimento (Pv 6:6, 30:25), ninguém poderia trazer a porção do amigo, mas cada um devia buscar o seu próprio, se trouxessem mais do que o devido este apodreceria, somente na sexta-feira, por causa do sábado que não era permitido colher, pois não caia neste dia, era permitido trazer em dobro. Semelhantemente, a “ração” que precisamos para nos manter alimentados espiritualmente é unicamente responsabilidade nossa, ou caso contrário pereceremos de fome espiritual. Todo dia precisamos de alimento vindo do céu, se não formos pegar o nosso “maná espiritual” o sol poderá derretê-lo e o perderemos, seguindo a isso a fome e posteriormente a morte espiritual. Os dardos inflamados do maligno poderão nos derreter a fé, o calor dos problemas e das provações nos colocará em uma posição tão delicada a ponto de sermos derretidos pelos ventos das tempestades.
Nos versos que se seguem do capítulo 17, o evento é a rocha ferida. A necessidade de água manifestou duas coisas: a debilidade espiritual do povo e a onipotência de Deus provendo a solução, assim o povo estava revendo que:
Eram ingratos e precisavam de água.
Esqueciam facilmente os milagres passados.
Não conheciam bem a natureza de seu Deus. Duvidavam até que Ele estivesse entre eles.
Necessitavam depender de Deus.
Fraquejavam facilmente na fé.
Porque o milagre da pedra foi algo inegável? Porque era um lugar menos provável para se encontrar água. A mesma vara que havia sido utilizada para grandes prodígios: enviar pragas e abrir o mar, agora era utilizada para trazer o elemento da vida de onde não havia vida.
Este foi um milagre no qual não deveriam ficar dúvidas do poder e intenções de Deus em relação ao povo. É inútil buscar explicação racional do acontecimento da rocha. Apenas aceitemos.
Obviamente, Deus estava mais interessado na comunhão com seu povo, a água da pedra para nossa edificação espiritual (1Co 10:1-6, 11, 12), para fortalecermo-nos em Cristo, para procurar agradarmos a Deus e estarmos firmes na fé.
A primeira ocasião (Ex 17:1-7) do povo foi por não encontrar água potável, a segunda era por completa falta deste líquido. Haviam entrado no deserto de Sin que fica na parte sul da península do Sinai, Jebel Musa, uma área arenosa chamada Debbet AL-Ramleh (v. 1; 17:1; Nm 33:11), não deve ser confundida com o deserto de Zin (Nm 13:21, 20; 20:1) que fica ao norte da península, na região Palestina. A tradição judia diz que a água da pedra seguia a Israel durante suas peregrinações no deserto até a terra prometida. Parece que o apóstolo Paulo se referia a esta tradição quando disse: “e beberam da mesma bebida espiritual; pois bebiam da pedra espiritual que os seguia, e a pedra era Cristo”. 1Co 10:4
No milagre da pedra a maior confirmação de fé para o povo foi a demonstração de que Deus estava com eles (v. 7b). Com experiências tão grandes era de se esperar que a fé das pessoas ao menos correspondesse ao mesmo nível, mas isso não era assim. Tal como sucede ao resto da humanidade atual, para Israel era difícil recordar as vitórias do passado a cada nova crise que enfrentavam pelo caminho.
Em seguida Israel enfrentou uma crise diferente (Ex 17:8-16), agora estava diante do povo outra classe de dificuldade, um inimigo armado em sua frente que os impedia de chegar ao Sinai. Mais uma vez houve murmuração. Os Amalequitas eram descendentes de Esaú (Gn 36:12), nômades que se estabeleceram na península do Sinai, ocupando a zona norte que incluía Neguev, Seir e o sul de Canaã. Estes juntamente com os cananeus, trataram de impedir a entrada de Israel (Nm 14:43-45) o que de qualquer forma era um empecilho para o cumprimento da promessa feita por Deus à descendência de Abraão.
Aparece em cena Josué (v.9) que se apresenta no texto como alguém que conhecia o povo, é o ajudante de Moisés.
Na batalha, a oração intercessória de Moisés fazia a diferença, tanto que ao cansar o grande líder, providenciaram imediatamente uma pedra para que pudesse sentar-se (v. 12) e seguraram-lhe os braços estendidos. A vara estava à sua mão (17:9b), a mesma que: feriu o Egito com pragas, abriu o mar, feriu a rocha e agora era usada para vitória contra o povo inimigo.
Qual lição há na batalha de Refidim? O Senhor os havia ensinado que poderia livrá-los de quaisquer circunstâncias, até mesmo a guerra. Aprendemos que até mesmo os maiores líderes se cansam e quão louvável é que possam existir fiéis irmãos e colaboradores para manterem ao alto as mãos casadas! Sem eles não haveriam vitórias completas, nunca devemos deixar de apoiar, orar por aqueles que o Senhor há posto em lugares de responsabilidade. Sem a firmeza de tais homens, a batalha de Refidim poderia ter sido um fracasso.
Após a derrota dos inimigos (v.13), Deus disse a Moisés que escrevesse o relato da vitória como um “memorial histórico” (v.14). Seria a primeira vez que se indica algo acerca do trabalho literário de Moisés (v. 24:4; 34:27; Nm 33:2; Dt 31:9, 24; 31:22).
Quando estivermos em conflito, falemos como Senhor primeiro.
A Deus seja a honra e glória.


Werber Marques

Teólogo Adventista

OSantuario.com.br

terça-feira, 24 de março de 2009

Análise do Êxodo - 3a. parte




[ O cântico e as águas amargas]




O senhor ia diante do povo numa coluna, como presença da Majestade Divina. Cristo estava com a igreja no deserto. A quem o Senhor levar ao deserto, Este não os deixará a sós, senão que os guiará e ajudará na travessia, ainda que seja lugares áridos como o deserto.
Sabemos que uma nuvem os protegia do forte calor ao dia e uma coluna de fogo não os deixava presos na escuridão (Ex 13:20-22). A nuvem traz um importante papel no desenrolar da história desértica (Ex 33:7-11; 40:34-38; Nm 9:15, 16; 11:25; 12:5, 10; Dt 31:15), pois é um testemunho da presença única de Deus em uma forma viva e dinâmica em favor de uma nação.
Embora sejam acontecimentos no passado, estes trazem fortes lições espirituais lançando luz aos nossos dias, pois Deus ainda tem guiado seu povo, continuamente, ao dia e a noite, em direção a nova terra, a terra prometida. Assim como o povo jamais conseguiria encontrar o caminho correto sem a presença do Eterno, nós cristãos, hoje, jamais conseguiremos chegar ao céu se o Senhor não nos der a direção correta.
Após a travessia do mar, um cântico foi entoado como fruto de terem presenciado tão grande livramento vindo do Eterno. Este cântico é para a honra e glória somente de Deus, para exaltar seu nome e celebrar sua posição (v. 21). O cântico do povo aparece no verbo singular coletivo (v.1), vem após haver tido a experiência com o Senhor que produziu fé resultando em cânticos. Haviam encontrado vida e liberdade quanto tudo parecia perdido. Não exaltava o povo a si mesmo, senão aclamavam ao Senhor como “Deus, Pai e Guerreiro” (v. 2, 3), aclamando-o com as frases “minha fortaleza”, “minha canção”, “minha salvação”. Esse cântico inclui os aspectos da libertação física e salvação espiritual.
Até aqui podemos aprender algumas lições:
A adoração é um fim em si mesma, não um meio. Não adoramos a Deus para obter bênçãos, senão para agradecer as que já nos concedeu.
A adoração não se cumpre sem que o adorador não se apresente ante Deus com completa disposição de cumprir sua vontade.
O cântico é uma parte muito importante na adoração, mas adoração não é somente cantar.
A adoração sincera e atenta produz no adorador uma nova e renovada disposição de consagração ao Senhor.
Este canto de Moisés é o documento poético mais antigo da literatura hebraica. A sua composição é animada por uma verdadeira emoção que revela a alegria da salvação e sua fé e confiança em Deus. Moisés soube expressar, cheio do Espírito Santo, palavras de entusiasmo que sua alma sentiu a propósito do maravilhoso acontecimento.
O uso do verbo “cantar” no futuro é interpretado como uma indicação para Israel de que a capacidade de reconhecer a graça Divina e entoar-Lhe este cântico de louvor não deve ser limitada apenas àqueles que presenciaram a travessia do mar. Os filhos de Deus devem desenvolver, hoje, sua capacidade espiritual e cantar este louvor com a mesma emoção que seus ancestrais o entoaram.
Este é meu Deus e far-Lhe-ei uma morada - O Midrash comenta que estas palavras foram pronunciadas pelas mulheres judias à beira do mar Vermelho. Levantando nos braços os filhos recém-nascidos, disseram: “Este é o nosso Deus e, por meio destes filhos, nós O glorificamos.
Duas vezes na Bíblia se faz presente o cântico de Moisés, o servo de Deus (Ex 15 e Ap 15:1-4). Em ambos os textos, se referem a libertação efetuada pela mão de Jeová, o Senhor que livra o seu povo do exército inimigo.
Quais os elementos comuns em ambas as situações? Pois em ambos os momentos Deus é o autor da liberdade e Aquele que livra da tirania física e espiritual. Assim, os paralelos são:
ISRAEL – A.T
OS REDIMIDOS – N.T
Israel canta ao lado do mar vermelho.
O povo aclama ao lado do mar de vidro.
Deus é aclamado com pandeiros.
Os salvos usam harpas.
Estão na rota da terra prometida.
Entrarão na Canaã celestial.
Celebram a vitória de Deus sobre o Egito e Faraó.
Celebram a vitória do Cordeiro sobre o mundo e Satanás.
O primeiro cântico anuncia que Jeová reinaria sobre Israel.
O segundo cântico proclama o Senhor como “Rei das Nações”. (Ap 15:3)
Por meio da 1ª vitória Israel creu nEle.
Por meio da 2ª vitória todo o mundo chegará a reconhecê-lo como Senhor e o adorarão (Ap 15:4).
Somente Israel cantou o cântico.
Somente os salvos aprenderam o cântico.
Deus redimiu os escravos. O verbo se refere a uma liberação por meio de pagamento de um preço. Deus os comprou, de uma maneira especial pertenciam a Ele. O verbo “ga´al” (redimir) traz idéia de “fazer a função de um parente”. Eram varias as funções de redenção estipuladas no Antigo Testamento:
Resgatar uma propriedade vendida por um parente pobre (Lv 25:25)
Ser o vingador do sangue inocente derramado por um parente (Nm 35:19; Dt 19:6-10)
Casar-se com a viúva do parente para que continuasse o nome da família (Rt 3:12, 13)
No caso de Israel, Deus foi o parente mais próximo que os redimiu (Is 43:1; 41:14). Os hebreus, em seu trajeto rumo a canaã, se haviam livrado de todos os inimigos, que ou afundavam como pedras ou silenciavam-se como tais. Não havia ninguém, senão Deus, que poderia levantar-se por eles (Israel).
O Tetragrama, cuja conotação é eternidade e poder, é a única arma de Deus na guerra. Reis de carne e osso precisam de legiões e armamentos para guerrear, enquanto o Todo-Poderoso derrota seus inimigos apenas com Seu nome. Além disso, este nome que também representa sua misericórdia, é aplicado mesmo quando Deus castiga e pune seus inimigos, diferentemente dos reis mortais que não tem capacidade de praticar misericórdia e compaixão durante uma batalha.
Após uma viagem de caminho de 3 dias, o que indicaria um percurso de 40 a 50km (v. 3:18; 5:3). Com gado e uma grande quantidade de gente, havia acabado a água que tinham trazido consigo. Chegaram a encontrar águas, porém perceberam que elas não eram potáveis, as águas eram amargas, daí o nome “Mara” (v.23) significando “amargura”.
A situação era crítica, o problema de falta de água no deserto no mínimo indica uma projeção de morte, assim, disseram a Moisés: “Que havemos de beber?” (v.24), isso trouxe uma rebelião contra Deus que lhes havia já realizado grandes sinais.
A necessidade de água foi à fraqueza espiritual do povo de Deus. Um povo que esquecia facilmente os milagres do passado, que não conhecia a natureza do seu Deus no presente, que duvidava que Ele fosse estar no futuro, que precisava aprender mais sobre o Senhor e que fraquejava facilmente na fé.
As provisões de Israel trazidas do Egito, acabaram no segundo mês e eles murmuravam. Sua avaliação da libertação era tão baixa que eles desejaram morrer no Egito (Ex 14:11-12), ou seja, pela mão do Senhor, isto é, as pragas que mataram os Egípcios. Da forma como estavam posicionando-se, parecia até que haviam tido sempre abundância no Egito, que eram bem tratados e não lhes faltava nada.
Qual o significado bíblico do verbo “provar”? Nos versos que seguem e ao longo de toda caminhada no deserto, podemos interpretar a palavra “provou” com o seguinte sentido: Deus quis exercitar seu povo na observância de seus mandamentos através das experiências a que o submeteu. As águas não foram senão mais um teste, destinado a avaliar a consistência da força de sua fé.
A necessidade do homem ser examinado constantemente não traz qualquer tipo de benefício a Deus, mas sim ao homem. As provas passadas no deserto tem como único objetivo libertar o homem e capacitá-lo a agir com total liberdade espiritual em seu mundo.
Ao ser provado ou avaliado, o homem descobre haver discrepância entre sua fé e seu comportamento, isso pode ser provado pelo fato de que após o mar o povo pensou estar apto em sua fé, porém, descobrem serem ainda escravos das dificuldades impostas pelas condições ambientais adversas (por causa das águas de Mara).
Querido leitor, assim, cada prova consiste em um exercício espiritual que visa fortificar sua alma e modelar o espírito do homem.
A Deus seja a honra e glória.
Werber Marques


Teólogo Adventista


OSantuario.com.br

sábado, 7 de março de 2009

Análise do Êxodo- 2a Parte



Em êxodo capítulo 12, a narração das pragas é interrompida para dar atenção detalhada a instituição da Páscoa. Evidentemente o tema era de suma importância, não unicamente por que significava a salvação dos primogênitos de Israel, senão também que havia um simbolismo, uma projeção para o futuro.
A páscoa é a festa mais antiga de Israel, e o êxodo, podemos dizer ser o momento do nascimento de uma nação, estes eventos estão ligados intimamente. Cada vez que celebra-se a páscoa, recordam-se dos poderosos feitos divinos que iniciaram a história nacional. A fé se concretizou com a realidade histórica, o conceito de Israel da revelação histórica era único, recorda os feitos salvíficos que manteve a pureza da fé revelada frente ao subjetivismo do paganismo contemporãneo.
Em contraste com outras festas principais de Israel, a páscoa foi estabelecida como uma festa familiar. Se a família era demasiada pequena, podia dividir o cordeiro com o vizinho, de acordo com o número de pessoas (v.4). Parece que o propósito da lei era ter um número de gente suficiente para consumir o cordeiro. Posteriormente, as autoridades judias estipularam que o número mínimo que podia reunir-se para celebrar a páscoa eram 10 pessoas.
O cordeiro devia ser preparado o mais rapidamente possível. Não devia ser comido cru nem passado por água, pois um dos dois métodos tomariam mais tempo. Deviam comê-lo apressadamente, para sair imediatamente (v. 11). O povo de Deus devia ser um povo peregrino, preparado sempre para marchar a qualquer momento.
O pão devia ser sem fermento e de fácil preparação. O pão era símbolo da aflição sofrida no Egito (v. Ex 1:13, 14; Dt 16:3).
As ervas amargas (v. também representavam a vida amarga que passaram.
Com esperança e sentimento de urgência, deviam comer com as sandálias nos pés, o cajado na mão e lombos cingidos. Assim a primeira grande festa apresentava a comemoração dos judeus em alguns aspectos:
a) Ser livrado da morte. Somente os que reconheciam os méritos do sangue do cordeiro eram livrados.b) Requerer uma vitima cuidadosamente selecionada e preparada.c) Requerer uma cuidadosa preparação dos participantes
A páscoa celebrava o futuro sacrifício expiatório de Jesus Cristo.
A hora tão esperada havia chegado. A saída da nação Israelita do Egito foi triunfal, com regozijo partiram rumo ao Sinai, 600.000 mil homens, sem contar mulheres e crianças. Em um sentido matemático parece ser exorbitante e impossível, somando-se toda população certamente o número passaria da casa dos 2 milhões de pessoas. Com os israelitas, saíram tambem uma grande multidão de toda classe de gente (v. 38). Entre eles haviam elementos étnicos diferentes. Egípcios casados com israelitas (Lv 24:10), mulher etíope desposada por Moisés (Nm 12:1), midianitas que se juntaram (Nm 10:29), provavelmente outros escravos e fragmentos de grupos étnicos subjugados pelos egípcios. Pertencer a Israel não era questão de raça, mas de fé.
Foram 430 anos (v. 40) o período total de servidão no Egito.
Diante de todas as dificuldades, perigos e problemas que apresentam o deserto, Jeová não os guiou em sua rota mais curta, o que representaria passar pela terra dos filisteus, para que não se desalentassem e desanimassem com a guerra que teriam que enfrentar (v. 17). Não era prudente que Israel, recém liberto da opressão egípcia, tivesse contato com tão fortes exércitos filisteus. Israel não estava em condições de assumir a sua própria liberdade. Por certo, a rota que cruzava o território filisteu os faria chegar ao destino em um período bastante reduzido, 10 a 15 dias de viagens. Alguns estudiosos afirmam que o real percurso que fizeram levou 3 meses.
Um importante pensamento sobre o assunto diz: “Em vez de seguirem pelo caminho direto para Canaã, o qual passa através do país dos filisteus, o Senhor determinou a sua rota para o Sul, em direção às praias do Mar Vermelho. Se tivessem tentado passar pela Filístia, seu prosseguimento teria sido impedido, pois os filisteus, considerando-os como escravos escapados aos seus senhores, não teriam hesitado em mover-lhes guerras. Os israelitas estavam mal preparados para um encontro com aquele povo poderoso e aguerrido. Tinham pouco conhecimento de Deus e pequena fé nEle, e ter-se-iam aterrorizado e desanimado. Estavam desarmados, e não tinham o costume de guerrear, seu espírito estava deprimido pelo longo cativeiro, sentiam-se embaraçados pelas mulheres e crianças, ovelhas e gado. ” E.G.W., Patriarcas e Profetas, pág. 197.
Em seu primeiro dia de viagem Israel chega a Sucote, um lugar ainda dentro do território egípcio. Deste ponto em diante fica impossível traçar fielmente a rota, ao que se sabe deixaram o Egito pelo norte e foram ao deserto de Sur (13:18; 15:22).
Ao receber a notícia de que Israel andava errante e que o deserto o teria encurralado, o coração do faraó novamente se volveu contra o povo enchendo-se de esperança. Não era seu intento lutar contra eles, mas sim recapturá-los. O texto hebreu diz literalmente que faraó tomou 600 carros selecionados, os mais velozes.
Os israelitas tinham saído a vários dias, quando estes se deram conta que os egípcios vinham em sua direção, ficaram apavorados, o texto apresenta o verbo “clamar”, indicando uma queixa com grande angústia. Não era uma petição de salvação, senão era mais uma transferência de culpa para Deus por tê-los posto em tal situação. Para o faraó, o Senhor dos Exércitos não tinha sido feliz encurralando-os, não era um Deus estratégico e militarmente preparado. Mas o Senhor afirmara: “serei glorificado em faraó″.
O povo estava evidenciando sua débil fé, os muitos anos no Egito tinham feito uma profunda marca de desconfiança psicológica em suas mentes, a dura servidão tinha apagado a confiança em Deus.
O Senhor fala a Moisés para que o povo marche em direção ao mar. As vezes é mais fácil proclamar a fé do que praticá-la. Para Israel, pôr-se em marcha seria entrar no mar e molhar-se, para Moisés, seria o caminho da liberdade. Aos olhos dos israelitas não havia caminho livre, somente para cima, e exatamente de lá foi que veio a libertação deles. Quando não podemos deixar os problemas, devemos olhar por sobre nossos medos e contemplar a libertação que vem do alto, se Deus permite que o seu povo esteja em apuros, é que Ele sabe onde está a saída.
A silenciosa oração de Moisés prevalece diante de Deus mais que os fortes gritos de terror de Israel. A núvem e a coluna de fogo eram um muro entre eles e seus inimigos. A palavra e providência de Deus tem um lado negro e tenebroso para o pecado e os pecadores, mas um lado iluminado e agradável para o povo dEle.Aquele que separou a luz das trevas, faria agora clara distinção entre egípcios e israelitas, e isto seria relembrados pelos séculos vindouros.O capítulo 14 é uma continuação da história da saída iniciada em 13:17, e segue o tema do êxodo do Egito, com um renovado conflito entre Jeová e Faraó. Este capítulo tem sido grande influência para a fé bíblica. (Sl 106:6-12; Is42:13; 62:7-14; 1Co 10:1-2).
O Senhor revelou sua estratégia a Moisés (v.1). Jeová mandou que o povo desse a volta e acampasse junto a Pi-Hairote, entre Migdol e o mar. O Senhor estava preparando o cenário do confronto final.
A tentação econômica de manter a nação de Israel escrava no Egito produzindo riquezas era demasiada grande para faraó. Todavia não se dava conta de que o adversário era nada menos do que Jeová e não Israel. O Senhor daria logo a seguir, ao mundo, uma demonstração de seu grande poder.
Tragicamente, o faraó nunca quis admitir sua humanidade frente ao Senhor.
A entrada dos israelitas no mar era um tipo de conversão das almas, mas a entrada dos egípcios foi um tipo de ruína final dos pecadores impenitentes.
Aos primeiros passos dados pelo povo, altas paredes de águas foram formadas de ambos os lados, a mão de Deus às segurava para que “a menina de seus olhos” pudesse passar. Caminharam em seco pelo “fundo do mar”. O Senhor pode levar seu povo à dificuldades das maiores e abrir caminho onde não há.
Logo sobreveio a ira reta e justa de Deus sobre os inimigos do seu povo. Eles poderiam haver desejado a paz que tinha Israel, mas não quiseram, e tem sido sempre assim, os homens não se convencem até que seja demasiado tarde, quando sua causa seja sem esperança.Os Israelitas contemplaram os egípcios mortos, aos montes, na areia da praia. Aqui é o fim para o qual o cristão não deve esquecer-se jamais, se seus inimigos são fortes e poderosos, se os problemas são gigantes, mas você está apoiado por Deus, Ele segurará as ondas e os inimigos que você vê hoje, não os verá jamais.
Werber Marques

OSantuario.com.br

sábado, 17 de janeiro de 2009

O que acontece quando nós morremos?



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