domingo, 1 de março de 2009

Análise do Êxodo - 1a Parte



[ Faraó, Moisés e as 10 Pragas ]

Uma nova dinastia assumiu o poder do Egito, iniciando uma política de opressão que foi seguida por Ramsés II.

Não é que o faraó não tinha conhecimento histórico daquele povo, senão que não sentia nenhuma obrigação com a família de José. Via o poder numérico e econômico de uma gente extrangeira em seu próprio pais. Também reconheceu que sua localização em Gosen, ao norte, uma rota usada tradicionalmente por invasores da Ásia Menor, podia ser um risco a segurança do Egito, em caso de um ataque. Ademais, a prosperidade do povo comprometia parte da produção nacional, além da cultura Israelita não permitir ou não se identificar com a cultura egípcia. Assim, não querendo também perder uma fonte tão valiosa que eram os escravos, idealizou através do trabalho forçado, tratando-os com rigor, obrigou-os a construírem e edificarem grandes construções. Quanto mais oprimiam o povo Israelita, tanto mais se multiplicavam.

Uma nação é verdadeiramente poderosa quando seus cidadãos vivem de acordo com os princípios morais e espirituais. Roma que já chegou a ser o império mais poderoso que o mundo havia visto, entrou em decadência pois havia perdido a sua moral, ao perder a moral perde-se também o material. As circunstâncias do mundo põem os homens em pedestais mas depois os derrubam.

No Egito, o faraó era o dono de toda a terra (Gn 47:20,21), seu governo era autocrático, sua palavra era a lei absoluta. Os Israelitas tornaram-se escravos oficialmente, pela palavra do Faraó.

O respeito pela vida humana, é uma característica que distingue todo bom governo. Preservar a vida não é somente conservar sua existência, senão enriquecê-la, estabelecer condições para que cada indivíduo possa viver dignamente com o fruto de seu trabalho. O governo que não respeita a vida humana é um governo corrupto que, em seu desejo por levar seus planos avante, tende a extender a corrupção à seus cidadãos. A ordem de Faraó às parteiras, de matar a todos os recém nascidos, é um exemplo disto.

Observa-se a ordem da providência, justo no momento em que a crueldade de Faraó chega ao máximo, mandando matar os meninos hebreus, nasce o libertador. Quando os homens se juntam e se unem para levar a igreja a ruína, Deus está preparando a salvação. O cumprimento do nosso dever, é seguido dos feitos de Deus. A fé nEle sempre nos porá por cima do temor aos homens. O bebê Moisés estava aparentemente sozinho no rio Nilo, mas Deus está mais presente do nosso lado quando parecemos mais abandonados e desamparados.

Entra então em cena o grande libertador. Para tirar o povo da opressão, o Senhor chama a Moisés dizendo: [ Moisés, Moisés], com espanto, o grande homem entendeu que O Eterno sabia seu nome. Em Israel o nome representa a pessoa, em conhecer o nome de alguém significava ter um poder sobre ele. O Eterno não se identificou como um Deus novo, mas como o Deus do pacto, disse: Deus de seus pais.

Moisés desejava saber quem o estava enviando, razão pela qual perguntou o nome de Deus. Deus tem vários nomes e cada um deles representa a forma como Ele se manifesta aos seres humanos. Em respeito a sua enorme santidade o Tetragrama não é pronunciado nas orações ou rezas durante a leitura da Torá conforme está escrito, sendo substituído por Adonai ou Hashem. Portanto, a pergunta de Moisés a Deus pode ser perfeitamente compreendida de forma mais profunda: “Qual é o seu nome?” - Deus não disse: “Eu era o Deus de Abraão, Isaque e Jacó″, mas Ele falou: Eu Sou. É obvio que os judeus conheciam os diferentes nomes de Deus, o que eles queriam saber era como Ele pretendia se manifestar no curso da redenção do Egito: como o Eterno Deus misericordioso, como o Deus do juízo ou todo poderoso.



Agora haviam três problemas a serem superados:

1) Moisés tinha que ser convencido de que seria o libertador do povo;
2) Israel tinha que se convencer de que Moisés foi o escolhido para livrá-los;
3) Faraó tinha que ser convencido a deixar o povo ir.

A certeza da presença de Deus assegura o triunfo da tarefa encomendada por Ele. Apesar do sentimento de insuficiência, quem poderia estar melhor preparado? Moisés conhecia o idioma egípcio, a cultura, as crenças, podia mover-se dentro do palácio do faraó sem precisar de um guia, conhecia o deserto, os povos da região e tinha participado de orientações teológicas com um sacerdote de Deus, Jetro. Deus o havia preparado bem, sem que Moisés se desse conta.

Não apenas Moisés e Arão estavam livres da escravidão, mas sim toda a tribo de Levi - os sacerdotes dos filhos de Israel - o que explica a facilidade e a certa liberdade com que os dois se movimentavam na corte egípcia. Tal privilégio para os sacerdotes já era conhecido (Gn 47:22)

Com firme resistência a ordem divina, faraó, não deixando que o povo pudesse ir traria juízos que seriam lançados sobre toda a nação egípcia.

As pragas foram atos de Deus sobre todos os deuses do Egito (12:12b). Foram mais que um simples juízo sobre um rei obstinado. Os sinais e prodígios atacaram a teologia errônea dos egípcios acerca do faraó como um ser divino, as crenças a cerca do deus Nilo e a reverência (dedicação) de toda vida animal. As pragas foram demonstrações históricas da soberania de Jeová sobre a história, sobre a criação e sobre todos os homens.

Nem todas as dez pragas foram lançadas por Moisés. As 3 primeiras (sangue, rãs e piolhos) foram rogadas por Arão. O Midrash conta: “Disse Deus a Moisés: “As águas, que cuidaram de ti quando foste lançado ao Nilo, e a terra, que veio em teu auxílio quando mataste o egípcio não é justo que sejam amaldiçoadas por ti”. Essa era uma forma de aprimorar a própria personalidade humana. A virtude da gratidão, é um sentimento que pulsa no coração de qualquer pessoa que a cultive, mesmo por objetos inanimados passivos dos quais usufruímos. Se Moisés tivese lançado estas pragas, ele é que teria sido atingido, pois ficaria gravado em seu coração um ato de ingratidão e uma atitude grosseira.
Independente da maneira que se interprete como tenham sido as pragas, sabemos que:
(1) Ocorreram em um momento bastante oportuno;
(2) Produziram severas aflições aos egípcios;
(3) Afetaram lugares específicos;
(4) Tinham o propósito de livrar a Israel da escravidão egipcia.

1a - ÁGUA EM SANGUE
O Senhor ordenara a Moisés que fosse encontar Faraó as margens do nilo (v. 15). Para que se conhecesse o nome do Eterno, Moisés pronunciara novamente o nome dAquele que já havia dito ao Faraó que libertasse o povo. Foram golpeadas as águas do Nilo e transformaram-se em sangue, trazendo caos, morte. Claramente ficou apresentado que o deus Nilo não era superior ao Deus verdadeiro e que também este era controlado pelo todo poderoso.
A vista de tão vastas torrentes de sangue não podia senão inspirar horror, nada é mais comum que a água. Tão sabiamente o Senhor fere o que é tão necessário e útil ao bem estar da vida humana, agora restavam apenas 2 opções aos egípcios: Tomar sangue ou morrer de sede. Tendo manchado o rio com sangue anteriormente, quando jogaram os pequeninos por ordem do faraó, agora a própria mão do Senhor os dava sangue. Isso aconteceu a vista do faraó, pois os verdadeiros prodígios do Senhor não se realizam como os feitos de Satanás, a verdade não se esconde pelos cantos. O pecado é o que converte nossa água em sangue.
“Sendo o transbordamento o Nilo a fonte dos alimentos e riqueza para todo o Egito, era o rio adorado como um deus, e o rei ia para ali diariamente a fim de render as suas devoções. Ali os dois irmãos repetiram-lhe de novo a mensagem, e então estenderam a vara e feriram a água. A corrente sagrada mudou-se em sangue, os peixes morreram, e o rio exalou mau cheiro. A água nas casas, o suprimento preservado nas cisternas, foram semelhantemente transformados em sangue”. EGW, Patriarcas e Profetas pág. 184.

2a - AS RÃS

As rãs eram parte da vida egípcia, estava associada a deusa HEQUET (com cabeça de rã), quem, segundo a crença, ajudava as mulheres durante o parto, consequentemente as rãs eram consideradas a personificação de um poder que dava vida.

A praga apresentou bastante inconveniência, sendo que haviam milhares delas espalhadas por todos os lados, em seus dormitórios, suas camas, ao assentar-se o faraó elas subiam nele e o mesmo ocorria com todos os habitantes. Agora o Senhor conseguira atrair a atenção do faraó.

Os magos também conseguiram produzir o surgimento de rãs (v. 7), mas o problema não era fazê-las aparecer, mas sumirem, e isso eles não conseguiram, contribuíram apenas para o agravamento da praga.
A praga servia para castigar os opressores e derrotar seus deuses. A praga da rã fez a deusa HEQUET parecer ridícula. Não poder caminhar pelas ruas sem pisar em rãs era claro sinal de derrota da deusa. A enorme quantidade delas por todos os lugares irritavam os egípcios, Deus poderia ter infestado o Egito de leões, ursos ou lobos, mas Ele escolheu estas desprezíveis criaturas para mostrar que por sua ordem, ele pode atacarnos com as menores partes da criação. Humilhou o faraó, não podiam comer, beber nem dormir tranquilos, onde estivessem eram molestados por rãs. A maldição de Deus sobre o ser humano o perseguirá onde quer que este possa ir.

A praga da rã foi enviada porque os egípcios obrigaram os hebreus a pescar para eles. Além disso, as rãs saindo do Nilo representava que o Nilo é um “servo” de Deus.

“De novo foi estendida a vara sobre as águas, e rãs subiram do rio, e espalharam-se pela terra. Percorriam as casas, apoderavam-se dos quartos de dormir, e mesmo dos fornos e amassadeiras. A rã era considerada sagrada pelos egípcios, e não as destruíam; mas tal praga viscosa se tornara agora intolerável. Vendo isso o Faraó ficou algo humilhado. A praga, entretando, continuou até o tempo especificado, em que por todo o Egito as rãs moreram; mas seus corpos deteriorados, que haviam ficado, poluíam a atmosfera. O Senhor poderia tê-las feito voltar ao pó em um instante, mas não fez isto para que não acontecesse depois de sua remoção declararem o rei e seu povo ser aquilo o resultado da feitiçaria ou encantamento”. EGW, Patriarcas e Profetas pág. 184.

3a - OS PIOLHOS

Sem anunciar de antemão, Jeová dissera a Moisés que mandaria outra praga, uma em que arrancaria dos magos a seguinte expressão: é o dedo de Deus (v. 19). A palavra hebréia se refere a um inseto pequeno que não havia sido identificada com exatidão, mas que seria traduzida por “piolhos”, “mosquitos”, “pulgas”. O vocábulo “piolhos” é o mais aceito pelos requisitos textuais. A tradução “piolhos” segue a opinião do historiador judeu Josefo e de escritores talmúdicos, mas não tem base linguística. Os insetos eram tão pequenos que apenas os percebia a olho humano, mas de acordo com Orígenes feriam de uma forma que causava uma irritação extremamente dolorosa na pele.

Do pó da terra surgiram os piolhos, de qualquer parte da criação pode Deus fazer surgir juízos sobre os que se rebelam contra seu governo.

Essa terceira praga que um pó se convertia em piolhos e pequenos insetos que picavam mortalmente seus corpos. O Baal Haturim (c. 1275-c.1340) disse que os piolhos surgiram porque os egípcios proibiam os hebreus de se lavarem e se banharem.

“Por ordem de Deus Arão estendeu a mão, e o pó da terra se tornou em piolhos por toda a terra do Egito. Faraó chamou os magos para fazerem o mesmo, mas não puderam. Mostrou-se assim ser a obra de Deus superior à de Satanás”. EGW, Patriarcas e Profetas pág. 185.

4a - MOSCAS

Desta praga não se especifica a classe de inseto, na LXX traduz como um mosquito feroz que atacava suas vítimas para tirar delas sangue. Tais insetos que entravam nas cidades e mordiam os habitantes, foi porque os egípcios mandaram os hebreus caçar animais, expondo-os ao perigo de serem comidos ou mordidos por estes.

Faraó sem desejar aceitar os tratados de Moisés e Arão, sugeriu que os mesmos adorassem ali a seu Deus, porém, seria uma abominação ante Senhor que oferecessem sacrifícios egípcios e seria uma abominação para os próprios egípcios se os hebreus oferecessem seus objetos de adoração, a saber, bezerros e bois. Os que oferecem sacrifícios aceitáveis a Deus devem apartar-se dos ímpios e profanos. Também devem apartar-se do mundo. Israel não podia celebrar uma festa à Jeová entre os fornos de cozer tijolos e panelas de carnes dos egípcios.

Faraó consentiu que estes fossem ao deserto adorar como bem pretendiam, mas não distanciassem muito pois deveriam voltar. Assim, muitos pecadores que se tem apartado do mundo, não tem ido muito distante, de modo que quando o desejo ao pecado reinar novamente, possam voltar atrás.

“Moscas encheram as casas e enxamearam por sobre a terra, de modo que “a terra foi corrompida destes enxames”. Estas moscas eram grandes e venenosas, sua picada era extremamente dolorosa ao homem e aos animais”. EGW, Patriarcas e Profetas pág. 185.

5a - PESTE AOS ANIMAIS

A peste seguinte acabaria com todo o gado do Egito, dando a faraó um prazo, comunicou também a distinção entre o gado do Egito e o gado de Israel, pois somente o gado egípcio haveria de morrer. A praga feriu primeiro o gado e depois os animais domésticos.
Deus quer Israel liberto, Faraó se opõe, e agora está em jogo qual é a palavra que prevaleceria. Os egípcios adoravam a seu gado, o que nós idolatramos Deus considera justo destruí-lo.
A peste que matava os animais domésticos foi como castigo por terem os egípcios enviado os hebreus a lugares remotos para apascentar suas ovelhas, e com o objetivo de separá-los de suas famílias.
“Seguiu-se um golpe mais terrível: peste em todo o gado do Egito que estava nos campos. Tanto os animais sagrados como as bestas de carga - vacas, bois e ovelhas, cavalos, camelos e jumentos, foram destruídos. Havia sido distintamente declarado que os hebreus seriam insetos, e Faraó, enviando mensageiros à casa dos israelitas, constatou a veracidade de tal declaração de Moisés. “Do gado dos filhos de Israel não morreu nenhum”. EGW, Patriarcas e Profetas pág. 185.

6a - ÚLCERAS
A sexta praga também foi terrível. Tendo pego cinzas do forno (de cerâmica para assar tijolos) e lançado ao ar, produzia úlceras nos homens e nos animais em toda a terra do Egito. Novamente os magos foram impotentes para duplicar tal manifestação de poder, mesmo porque estavam cheios de tumores e não podiam aparecer perante Moisés (v. 11).
Havia possibilidade de que fosse lepra (Lv 13:18-23), se não foi, poderiam ser contagiosas, o que requeria que o enfermo fosse exilado por algum tempo (Lv 13:14-6). Possivelmente um abscesso ou um forúnculo que se abria, não é clara a natureza desta enfermidade, porém, alguns pensaram que a praga foi varíola ou uma enfermidade da pele similar a lepra.
A esta altura a estabilidade econômica e religiosa do país se deteriora profundamente, produzindo uma desorganização total do governo. Todos estavam em quarentena e não havia quem cuidasse dos doentes.
Quando os egípcios estavam comovidos pela morte do gado, Deus os envia uma praga que feria seus próprios corpos. As vezes Deus mostra o pecados dos homens mediante o castigo. Se os homens fecham seus olhos para a luz, é justo que Deus deixe fechado seus olhos.
Quando a justiça de Deus ameaça ruína, ao mesmo tempo sua misericórdia mostra uma saída.
Esta praga fazia sofrer pessoas e animais, por haverem obrigado os hebreus a construir casas de banhos para banhar e deleitar os corpos dos egípcios.
“Ordenou-se em seguida a Moisés que tomasse cinzas do forno, e as espalhasse “para o céu diante dos olhos de Faraó″. Este ato era profundamente significativo. 400 anos antes, mostrara Deus a Abraão a opressão futura de seu povo, sob a figura de uma fornalha fumegante e uma tocha de fogo. Ao ser a cinza espalhada para o céu, as minúsculas partículas espalharam-se por toda a terra do Egito, e onde quer que caíam produziam sarna, que arrebentava “em úlceras nos homens e no gado”. Os sacerdotes e magos até ali haviam incentivado Faraó em sua obstinação, mas agora viera um juízo que atingia mesmo a eles. Acometidos de uma moléstia repugante e dolorosa, tornando-se seu alardeado poder apenas desprezível, não mais podeiam contender contra o Deus de Israel”. EGW, Patriarcas e Profetas pág. 185 e 186.

7a - GRANIZO/SARAIVADA

Aqui se inicia o terceiro ciclo das ações divinas. Pela primeira vez o livro emprega como substantivo esta palavra: “um golpe”, “uma matança”, “uma pestilência”. Geograficamente esta seria uma praga para todo o país. Em outros lugares a palavra é empregada para uma matança de uma guerra (1Sm 4:17), para castigos sobrenaturais (Nm 14:37, 25:8-9, 25; Zc 14:12), e para um golpe de morte (Ez 24:16). Aqui aumenta-se a intensidade do conflito, o desenvolvimento do tema indica que a mão de um artista prepara o seu auditório para o juízo final de Jeová sobre o faraó. O autor chama atenção para o crescente respeito para com Moisés, entre os egípcios.
O granizo não é comum no Egito, a região do Cairo só tem uma precipitação anual de chuva de 6mm, e ao sul do Cairo a chuva é algo estranho. As vezes não cai nenhuma gota durante anos, portanto é compreensível que uma tormenta de granizo, tal como a que se descreve nos versos 23 e 24, fora um pouco tão extraordinário para ser considerado um ato de castigo divino. Faraó ficou impressionado, ao ponto de desejar negociar em um nível mais sério, chamando Moisés e Arão, confessa que ele e seu povo tem errado.
Esta praga tocou profundamente três aspectos da vida egípcia:
(1) A teología egipcia (seus deuses não puderam trazer proteção)
(2) A vida de alguns incrédulos que ingnoravam a advertência divina
(3) A economía nacional (cada vez más afectada).
A sétima praga foi um castigo pelos egípcios terem obrigado os hebreus a lavrar a terra.
“A chuva ou a saraiva não eram comuns no Egito, e uma tempestade como a que fora predita nunca havia sido testemunhada. A notícia espalhou-se rapidamente, e todos os que creram na palavra do Senhor recolheram seu gado, enquanto os quedesenharam o aviso o deixaram no campo. A tempestade veio conforme fora predita: trovão e saraiva, e fogo misturado com a mesma… …a ruína e a desolação assinalavam o caminho do anjo destruidor. Unicamente a terra de Gósen foi poupada”. EGW, Patriarcas e Profetas pág. 187 e 188.

8a - GAFANHOTOS
Aparece um novo elemento, homens do Egito aconselham o faraó a deixar ir o povo (v. 7). Audaciosamente Moisés entrega a faraó a palavra de Deus “Até quando se recusarás a humilhar-te?” (v. 3). Deus havia mandado sete pragas, para o hebreu o número sete é perfeito, sete sinais deviam haver sido suficientes, mas faraó seguia seu obstinado caminho, trazendo desconforto, tristeza e morte ao seu próprio povo. O problema do egípcio era o orgulho e como todos os tiranos da história, teria que aprender a lição de sua humanidade, era homem e não um Deus.
Os gafanhotos se multiplicavam rapidamente, formando grandes nuvens ao ponto de escurecer o sol, como uma tormenta (Jl 2:2-10). Sendo voadores e leves são arrastados pelo vento, podendo percorrer grandes distâncias, causam danos tremendos. Antigamente, uma invasão assim se considerava como o mais terrível de todos os assolamentos que pudessem açoitar um país. Os gafanhotos destroem toda uma vasta vegetação, chegam em grandes quantidades, o ruído de seu vôo faz recordar o da chuva ou o crepitar do fogo no pasto seco, com sua multidão obscurecem o céu.
Teria sido mais fácil resistir a um exército do que aos gafanhotos, então, quem é capaz de fazer frente ao grande Deus?
Um vento oriental trouxe os gafanhotos, um vento ocidental os levou. De onde quer que viessem, estes obedecem a palavra de Deus e giram por seus conselhos.
A oitava praga, os gafanhotos que destruiram todas as plantas, foi pelo pecado de obrigar os hebreus a plantar árvores, para os egípcios gozarem de seus frutos. Os gafanhotos são, na realidade, uma séria praga pois causam estragos enormes às plantações, sobretudo em certas regiões africanas. Ali, onde atacam em bando, todo o verde é devastado em poucas horas.
“Moisés estendeu então a vara sobre a terra, e soprou um vento oriental, que trouxe gafanhotos. Encheram o céu até que a terra se escurreceu, e devoraram toda a vegetação que restava. O povo do Egito estava ao ponto do desespero. Os açoites que já haviam caído sobre eles pareciam quase além do que se podia suportar, e estavam cheios de temor pelo futuro. Por toda parte homens estavam a indagar, com desalento: o que será depois disto?” EGW, Patriarcas e Profetas pág. 189.

9a - TREVAS
Agora viriam densas trevas sobre a terra do Egito por um espaço de três dias. Outra vez o faraó chamou a Moisés e ofereceu outro acordo, no qual foi recusado. Com raiva do grande líder, faraó diz que este deveria sair de sua presença sob promessa de matá-lo. Moisés responde indignado, dando o anúncio prévio da morte dos primogênitos dos egípcios.
As trevas foram tão densas que diz o texto: Se podiam apalpar. (v. 21, 22). Não foi por coincidência que a penúltima praga fosse trevas, a teologia egípcia dava prioridade ao deus sol, considerava o mesmo faraó como uma encarnação deste.
Agora o deus egípcio (sol) estava sendo reduzido a nada.
Os palácios mais iluminados tornaram-se como masmorras, agora faraó tinha tempo para considerar se ele era o maior. Os filhos de Israel tinham ao mesmo tempo luz em suas vidas.
Sem dúvida havia luz onde havia um israelita, onde há um filho da luz, as trevas são discipadas. Quando Deus fez tal diferença entre egípcios e israelitas, quem não desejou uma humilde cabana israelita do que o palácio dos egípcios?

A nona praga, que reinou no país a tal ponto, que os egípcios não viram cada um a seu irmão e não se levantaram de seus lugares durante 3 dias, foi o castigo por terem os egípcios posto alguns israelitas em calabouços escuros. Trevas espessas, “não viu nenhum homem a seu irmão” indica que o egoísmo no Egito era tão enorme, que cada um só via a si próprio.
“Subitamente repousou sobre a terra uma escuridão, tão densa e negra que parecia “trevas que se apalpem”. Nâo somente estava o povo despojado de luz, mas a atmosfera era muito opressiva, de maneira que a respiração era difícil. O sol e a lua eram objetos de culto para os egípcios, nestas trevas misteriosas o povo e seus deuses foram de modo semelhante atingidos pelo poder que tomara a si a causa dos escravos”. EGW, Patriarcas e Profetas pág. 189.

10a - PRIMOGÊNITOS
Por várias razões esta praga se distinguia das outras:
(1) Toda a atividade sería exclusivamente de Jeová. Não havia intervenção por parte de Moisés e Arão.
(2) Seria diferente. As primeiras quatro pragas haviam sido mais moléstias, causando danos econômicos, a nona produziu terror, mas a décima transtornaria toda população egípcia.
(3) O povo receberia um pagamento justo pelos anos de maus tratos para com os hebreus.
A décima praga foi uma luta de vida ou morte, o climax do tema principal: o conflito entre os deuses dos egípcios e o Deus Soberano.
Antes do golpe decisivo, faltava um passo mais, era necessário preparar o povo para a grande noite que seria lembrada e comemorada pelos séculos seguintes. O anjo da morte passaria sobre as casas dos hebreus e atingiria os egípcios com golpe mortal.
A décima praga e última consistiu na morte dos primogênitos egípcios, sem distinção de categoria, e do primogênito dos animais, alguns dos quais eram considerados sagrados. Assim expiaram os egípcios o pecado de terem jogado os recém nacidos dos hebreus ao Nilo.
“Pais e mães [israelitas] cingiam nos braços seus amados primogênitos, ao pensarem no golpe terrível que deveria ser desferido aquela noite. Mas nenhuma habitação de Israel foi visitada pelo anjo destruidor da morte. O sinal e proteção de um Salvador - encontrava-se em suas portas, e o destruidor não entrou. À meia-noite “havia grande clamor no Egito, porque não havia casa em que não houvese um morto”. Por todo o vasto reino do Egito, o orgulho de cada casa fora derribado.” EGW, Patriarcas e Profetas pág. 191.

Cada praga teve sua origem nos maus tratos que os hebreus tiveram que suportar que suportar.

Fonte: www.OSantuario.com.br

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Para toda pessoa verdadeiramente convertida ...

“Para toda pessoa verdadeiramente convertida, a relação com Deus e com as coisas eternas será o grande objetivo da vida. Onde, nas igrejas populares de hoje, existe o espírito de consagração a Deus? Os conversos não renunciam ao orgulho e amor do mundo. Não estão mais dispostos a negar-se tomar a cruz e seguir o manso e humilde Jesus, do que antes da conversão.” Ellen G. White, O grande Conflito

sábado, 14 de fevereiro de 2009

INFERNO: Mito abrasador



Muitos leitores deste blog têm utilizado em seus comentários o mito antibíblico do inferno como argumento contra o caráter amorável de Deus (1Jo 4:8). Por isso, julgo oportuno esclarecer esse assunto com um comentário do professor de Teologia Dr. Alberto Ronald Timm, do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp):

A noção de um "inferno" de fogo eterno para castigar os maus está intimamente associada à teoria da imortalidade natural da alma. Já no Jardim do Éden, Satanás, na forma de uma serpente, disse a Eva que ela e Adão não morreriam (Gn 3:4; Ap 12:9). Entre os antigos pagãos havia noções de um outro mundo no qual os espíritos dos mortos viviam conscientes. Essa crença, somada à noção de que entre os seres humanos existem pessoas boas e pessoas más que não podem conviver para sempre juntas, levou antigos judeus e cristãos a crerem que, além do paraíso para os bons, existe também um inferno para os maus.

Muitos eruditos criam que a noção de um inferno de tormento para os ímpios derivara do pensamento persa. Mas em meados do século 20 essa teoria já havia perdido muito de sua força, diante das novas investigações que enfatizavam a influência grega sobre os escritos apocalípticos judaicos do século 2 a.C. Tal ênfase parece correta, pois na literatura greco-clássica aparecem alusões a um lugar de tormento para os maus. Por exemplo, a famosa Odisséia de Homero (rapsódia 11) descreve uma pretensa viagem de Ulisses à região inferior do Hades, onde mantém diálogo com a alma de vários mortos que sofriam pelos maus atos deles. Também Platão, em sua obra A República, alega que "a nossa alma é imortal e nunca perece".

Por contraste, o Antigo Testamento afirma que o ser humano é uma alma mortal (cf.Gn 2:7; Ez 18:20); que ele permanece em estado de completa inconsciência na morte (ver Sl 6:5; 115:17; Ec 3:19 e 20; 9:5 e 10); e que os ímpios serão aniquilados no juízo final (cf. Ml 4:1). Mas tais ensinamentos bíblicos não conseguiram impedir que o judaísmo do século 2 a.C. começasse a absorver gradativamente as teorias gregas da imortalidade natural da alma e de um lugar de tormento onde já se encontram as "almas" dos ímpios mortos. Esse lugar de tormento era normalmente denominado pelos termos Hades e Sheol.

Já nos apócrifos judaicos transparecem as noções de uma espécie de purgatório (Sabedoria 3:1-9) e de orações pelos mortos (2 Macabeus 12:42-46). Mas o pseudepígrafo judaico de 1 Enoque (103:7) assevera explicitamente: "Vocês mesmos sabem que eles [os pecadores] trarão as almas de vocês à região inferior do Sheol; e eles experimentarão o mal e grande tribulação – em trevas, redes e chamas ardentes." Também o livro de 4 Enoque (4:41) fala que "no Hades as câmaras das almas são como o útero". A idéia básica sugerida é a de uma alma imortal que sobrevive conscientemente à morte do corpo.

O Novo Testamento, por sua vez, fala acerca da morte como um sono (cf. Jo 11:11-14; 1Co 15:6, 18, 20 e 51; 1Ts 4:13-15; 2Pd 3:4) e da ressurreição como a única esperança de vida eterna (cf. Jo 5:28 e 29; 1Co 15:1-58; 1Ts 4:13-18). Mas o cristianismo pós-apostólico também não conseguiu resistir por muito tempo à tentação paganizadora da cultura greco-romana, e passou a incorporar as teorias da imortalidade natural da alma e de um inferno de tormento já presente. Uma das mais importantes exposições medievais do assunto aparece em A Divina Comédia, de Dante Alighieri, cujo conteúdo está dividido em "Inferno", "Purgatório" e "Paraíso".

Além de conflitar com os ensinos do Antigo e do Novo Testamentos, a teoria de um inferno eterno também conspira contra a justiça e o poder de Deus. Por que uma criança impenitente, que viveu apenas doze anos, deveria ser punida nas chamas infernais por toda a eternidade? Não seria essa uma pena desproporcional e injusta (cf.Ap 20:11-13)? Se o mal teve um início, mas não terá fim, não significa isso que Deus é incapaz de erradicá-lo, a fim de conduzir o Universo à sua perfeição original? Cremos, portanto, que a teoria de um tormento eterno no inferno é antibíblica e conflitante com o caráter justo e misericordioso de Deus.Alberto Ronald Timm, Ph.D., é diretor do Centro de Pesquisas Ellen G. White e professor de Teologia no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, em Engenheiro Coelho, SP.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Membros da UE querem consagrar o domingo




O Secretariado da Comissão das Conferências Episcopais da União Européia (Comece), as Igrejas Alemãs protestantes e a Igreja da Inglaterra saudaram a iniciativa de vários membros do Parlamento Europeu, que solicitam o pronunciamento dos restantes membros sobre a declaração escrita acerca da “proteção do Domingo livre como pilar essencial do Modelo Social Europeu e como parte da herança cultural da Europa”.


Num comunicado enviado à Agência Ecclesia, os bispos da UE indicam que tal declaração “pode constituir um importante compromisso para a ‘Europa social’. Seria agora importante encontrar a maioria necessária para essa resolução para além dos partidos subscritores”.


A Declaração para a Proteção do Domingo foi lançada pelos parlamentares europeus Anna Záborská, Martin Kastler, Jean Louis Cottigny, Patrizia Toia, Konrad Szymański, de diferentes partidos políticos, no dia 2 de fevereiro.


Os bispos da UE afirmam que “a crise econômica e financeira nos tornou mais conscientes de que nem todos os aspectos da vida podem ser sujeitos a forças de mercado”, e indicam que “homem e mulher, que trabalham aos domingos, estão em desvantagem nas suas relações sociais: na família, no desenvolvimento e até a saúde estão comprovadamente afetados”.


A Comece sublinha ainda que o domingo livre “faz parte da herança cultural da Europa e advém de uma longa tradição”.“O domingo livre de trabalho é um fator decisivo no equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar. É de fundamental importância para as relações familiares, mas também para a vida social e cultural, salvaguardar uma das poucas ocasiões em que pais e crianças se podem encontrar”.


Segundo a lei da UE, o domingo é um dia de descanso semanal para crianças e adolescentes. Por isso, segundo os bispos, “o respeito pelo domingo tem o potencial de se tornar no pilar do modelo social europeu”.


O episcopado da UE alerta para o fato de a proteção do domingo “estar sendo esquecida em alguns Estados membros, com o objetivo de aumentar a produção e o consumo. Os trabalhadores experimentaram a fragmentação das suas vidas privadas, enquanto as pequenas e médias empresas, que não permitem horários ininterruptos, perderam terreno no mercado”.


A declaração, agora introduzida no Parlamento Europeu, apela aos Estados membros e às instituições da UE que “protejam o domingo como um dia de descanso, nas legislações nacionais e internacional, para reforçar a proteção dos trabalhadores em áreas como a saúde e a conciliação entre a vida profissional e familiar”.


Para que seja adotada, é necessário que a Declaração seja assinada pela maioria dos membros do Parlamento Europeu, ou seja, 394 membros, antes de 7 de maio de 2009.


O artigo 116, que se refere às regras de procedimento do Parlamento Europeu, estipula que uma Declaração Escrita seja um texto com no máximo 200 palavras e seja apresentada por no máximo cinco membros parlamentares, submetida a todos os membros durante um período de três meses.


Se a Declaração recolher a maioria das assinaturas, torna-se um ato oficial do Parlamento Europeu, sendo transmitida aos destinatários citados.




O texto original da proposta pode ser consultado aqui. (Agência Ecclesia)




Nota: as crises econômica e ambiental têm se mostrado terreno fértil para a aprovação de leis que, de início, parecem representar a “salvação” do planeta. O perigo está no coletivismo, na formação de um consenso global que acabará por até mesmo hostilizar os que por motivo de consciência e convicção se opuserem a essa unificação de pensamento e procedimentos. Note que o fortalecimento da propaganda darwinista e o apoio católico à teoria da evolução também contribuem para o esquecimento do sábado como memorial bíblico da Criação e o estabelecimento do domingo como falso dia de descanso. Para os religiosos darwinistas, nunca é demais lembrar: Jesus era criacionista, afinal, Ele se referiu a Adão e Eva e ao Dilúvio como personagens e eventos históricos. Ele também estava “embrutecido”, como escreveu Petry? Estava enganado por interpretar como históricos eventos que seriam alegóricos, como diz o Vaticano? Nessa história toda, continuo ao lado de Jesus.[MB]Conforme escreveu Ellen White: “As calamidades em terra e mar, as condições sociais agitadas, os rumores de guerra, são portentosos. Prenunciam a proximidade de acontecimentos da maior importância. As forças do mal estão-se arregimentando e consolidando-se. Elas se estão robustecendo para a última grande crise. Grandes mudanças estão prestes a operar-se no mundo, e os acontecimentos finais serão rápidos” (Eventos Finais, p. 11).
Fonte: Retirado do site http://www.criacionista.blogspot.com/

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

"Os que confiam no Senhor são como o Monte Sião, que não se abala, firme para sempre."



Olá!


Hoje quero meditar com você no Salmos 125:1


"Os que confiam no Senhor são como o Monte Sião, que não se abala, firme para sempre."


Montes são símbolos de permanência. Se você vê hoje uma árvore e retornar ao mesmo lugar depois de 100 anos, é pouco provável que aquela árvore esteja ainda lá. Mas se você contemplar o monte Everest e retornar depois de mil anos, ele estará no mesmo lugar.
O salmo de hoje tenta levar você a confiar em alguém e não em algo. Coisas são necessárias, mas elas são passageiras. Dinheiro, emprego, saúde, juventude, casa, carro, até família, tudo pode passar, falhar e frustrar. Mas Deus nunca falha.
Este salmo era cantado pelos peregrinos judeus que, de qualquer lugar daquelas terras, estavam próximos de Jerusalém.

Quando os cativos de Babilônia retornaram ao seu lar depois do exílio, contemplaram de longe as montanhas da Judéia. Um tempo depois, eles podiam observar as colinas que rodeavam Jerusalém. E, ao aproximar-se mais, encontravam o Monte Sião.
Onde estavam todos os que saíram um dia de Jerusalém, cativos, para Babilônia? Muitos tinham morrido. Outros estavam envelhecidos e outros haviam desaparecido no tempo e nas sombras do esquecimento. Mas o Monte Sião estava ali, indômito, inalterável e imutável.
Imagine o povo cantando: "Os que confiam no Senhor são como o Monte Sião." Eles tinham sido cativos porque confiaram em suas próprias forças e se esqueceram de Deus. Agora, depois de terem sofrido as conseqüências de sua rebeldia, retornavam para casa, cantando emocionados a única verdade que os livraria de sofrimentos futuros.
Este salmo é para você hoje.

Em quem confiar? Na sua empresa, no seu trabalho, no dinheiro que você tem aplicado, na sua juventude, na sua força ou no Senhor?
Se você olhar a Deus em busca de segurança, nunca será frustrado. Ele conhece o futuro. Ele sabe do que você precisa, antes mesmo que você tenha consciência de sua necessidade. Mesmo que você perca tudo repentinamente, Ele o ajudará a saldar seus compromissos e salvar a sua família.

O salmo não diz que o monte não será açoitado pelas inclemências do clima; diz que não será abalado.

Portanto, não se desespere se os seus olhos estão em Jesus, porque: "Os que confiam no Senhor, são como o Monte Sião, que não se abala, firme para sempre."


Alejandro Bullón


terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Quem é Jeová?



Alguns dias atrás, quando eu estava saindo de casa, fui abordado por um jovem (aparentava uns 15 anos de idade), que me entregou um folheto com o chamativo título: “Quem é Jeová?“.
O jovem, e seu companheiro (de uns 10 anos de idade) - assim como o folheto - são membros de uma denominação religiosa conhecida como “Testemunhas de Jeová“.
Uma das coisas que admiro nos “TJs” é esta disposição em fazerem um trabalho missionário persistente, de casa-em-casa e em duplas (nunca sozinhos).

Já li alguns comentários de ex-integrantes desta denominação alegando que este “espírito missionário” dos TJs é fruto de uma intensa “lavagem cerebral” feita por parte dos dirigentes, para que os membros distribuam as literaturas preparadas pela “Torre de Vigia” (editora da denominação).
Mas… isso não tira a minha admiração por vê-los tão ativos no esforço de fazerem a sua mensagem peculiar (e sectária, segundo alguns críticos). Tenho amigos TJs, e sei que a grande maioria é de pessoas sinceras em sua fé, e que fazem o trabalho missionário com amor e dedicação.
O folheto que recebi despertou o meu desejo de colocar novamente aqui no blog uma postagem que tratasse do tema da Pessoa de Jesus, que, na visão dos Testemunhas de Jeová, não é Divino da mesma forma como o “Pai”.
Quem é Jeová?
O “nome” de Deus aparece pela primeira vez em Gên. 2:4, que diz:
“Esta é a gênese dos céus e da terra quando foram criados, quando o SENHOR Deus os criou“.
A palavra que, em nossa língua, foi traduzida por “SENHOR”, aparece no texto original hebraico da seguinte maneira:
HWHY
Em português, seria YHWH (escrito da equerda para a direita). Um fato curioso a se observar é que o hebraico antigo (conforme foi escrito o livro de Gênesis) não possuía vogais, as quais foram colocadas séculos depois por um grupo de escribas chamados de “massoretas”.
Mas, como se pronuncia uma palavra sem vogais? Tente pronunciar o “tetragrama” acima e você verá como é difícil. Devido a esta dificuldade, e com o temor de pronunciarem o nome do Senhor em vão e de forma errada, os hebreus não o pronunciavam. Quando eles liam o texto bíblico e se deparavam com o tetragrama (YHWH), eles pronunciavam outro nome de Deus: Adonai (cf. Prov. 30:10). Com o tempo, a pronúncia correta do nome de Deus (YHWH) se perdeu.
Posteriormente, quando os massoretas foram colocar as vogais no texto bíblico, eles colocaram no tetragrama as vogais de ADONAI, fazendo com que a pronúncia ficasse parecida com o que hoje conhecemos em português por JEOVÁ. Mas, a bem da verdade, não podemos “bater o martelo” e dizer que este é o verdadeiro nome de Deus, porque, como disse antes, não se sabe como este era pronunciado originalmente.
Portanto, uma denominação que se apega a este nome “aportuguesado” (Jeová) para condenar as demais que não usam este título em sua identificação, não tem uma base muito sólida para sustentar suas declarações dogmáticas.
Jesus é “Jeová”?
Um outro ponto característico da doutrina dos TJs é o fato de que eles não crêem que Jesus é Deus, ou seja, na teologia Jeovista, Jesus é um “deus” menor em relação ao Pai. Para ver isto, basta dar uma lida nos primeiros versos do Evangelho de João, na versão Novo Mundo, editada pela Torre de Vigia.
“No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com o Deus, e a Palavra era [um] deus. Este estava no princípio com o Deus.
Todas as coisas vieram à existência por intermédio dele, e à parte dele nem mesmo uma só coisa veio à existência” (João 1:1-3).Fonte: Site Oficial da Torre de Vigia
É uma interpretação estranha para um grupo que é radicalmente contra a Trindade (aliás, muitos dos argumentos dos antitrinitarianos “adventistas” são extraídos das publicações dos TJs), por alegar que esta é uma crença politeísta (mais um equívoco da parte deles). Dizer que Jesus é “um deus” menor que o Pai, isso sim, é politeísmo explícito!
A Bíblia é muito clara em dizer que Jesus é tanto Deus quanto o Pai e o Espírito. E o mais “curioso” é que a Bíblia coloca sobre Jesus o cumprimento das profecias e declarações veterotestamentárias sobre o próprio YHWH (”Jeová”). Vejamos…
O fato de Jesus ser mais do que humano é indicado ainda pelos títulos que Lhe foram atribuídos: “Senhor” (Atos 2:36); “Deus” (Jo. 20:28); “Eu Sou” (Jo. 8:58, conf. Êx. 3:14). Agrega-se a isso o fato de haver, na Bíblia, inúmeras referências à Sua preexistência (Jo. 8:58; Col. 1:16; Heb. 1:2; etc.), pressuposta pela própria realidade da encarnação. E, se Jesus não tivesse poder divino, jamais poderia ter dito “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo. 11:25); “Eu tenho autoridade para dar a minha vida, e a autoridade para tornar a tomá-la” (10:18); ou, então, “Quem me vê, vê o Pai” (14:9).
A divindade de Jesus pode ainda ser atestada nos seguintes aspectos:

• Sua autoridade - Mat. 7:28-29; Jo. 5:16-18;

• A adoração que recebeu - Mat. 26:16-20; Jo. 9:35-38;

• Seus requerimentos - Jo. 10:27; 11:25; 14:1;

• Sua unidade com o Pai - Jo. 10:30;

• Seu poder de ler o coração dos homens - Mar. 2:6; Jo. 2:23-25.


Outras Declarações Impressionantes:


Isa. 9:6 (O Messias seria o Deus Forte) - Jesus foi o Messias.

Jo 5:18 (Jesus assumia ser igual a Deus)

Jo 20:28 (Tomé reconhece Jesus como Senhor e Deus)

At 2:36 (Deus fez de Jesus, Senhor Cristo)

At 3:15 (Jesus é o Autor da vida) - E sabemos que Deus é este Autor.

Rm 9:1, 5 (Jesus é o Deus bendito)

Fp 2:5-7 (Jesus tinha a forma de Deus) - o termo usado é MORPHE - uma cópia “exata.

Col. 2:9 (toda a plenitude da Divindade estava com Ele)

Tt 2:13 (grande Deus e Salvador)

2Pe 1:1-2 (Pedro reconhece Jesus como Deus e Salvador)

1Jo 5:20 (Jesus é o verdadeiro Deus)
“Curiosidades”
A Bíblia diz que a “voz que clamava no deserto” viria preparar o caminho de “Jeová” (Is 40:3).E o caminho de Quem João Batista preparou? (Mt 3:3)Portanto, JEOVÁ = JESUS
As Escrituras dizem claramente que “Deus” seria vendido por 30 moedas (Zc 11:13).E na vida de Quem isso se cumpriu? (Mt 26:15; 27:9)Portanto, DEUS = JESUS
Conclusão
O título do folheto que recebi indagava: “Quem é Jeová?”.Pois bem, a resposta é uma só:JESUS É JEOVÁ!

“Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1João 5:12).


Pr.Gilson Medeiros

http://prgilsonmedeiros.blogspot.com

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Batismo em nome de Jesus



Por que, em Mateus, Jesus falou para os discípulos batizarem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e em Atos o batismo é feito em nome de Jesus? – R.


Assim como oramos ao Pai, em nome de Jesus e pelo poder do Espírito Santo, o batismo bíblico é “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. O Pai não é o Filho. Se fosse, Jesus não oraria ao Pai. O Pai é uma pessoa da Divindade, e o Filho é outra pessoa da Divindade (cf. Mt 5:16, 48; 10:32; Ap 3:5; At 7:54-56; Mt 11:25; 4:6-10; Ef 1:3, 17; 3:14; Jo 14:16; Mc 13:32; At 7:56; Lc 23:46; Jo 8:42; 16:5; 10:36; 17:8; 4:24; 19:34; Mt 16:17; Lc 24:39; Jo 5:17-35; 20:17; Ap 3:12; Lc 2:7-16; 2:22, 26-33, etc.).

O Deus Filho não é o Deus Espírito Santo. Se fosse, Jesus não diria: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Ajudador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14:16). “Todavia, digo-vos a verdade, convém que Eu vá; pois se Eu não for, o Ajudador não virá a vós; mas, se Eu for, vô-lo enviarei” (Jo 16:7). (Veja também: Jo 5:32; 15:26; Ap 1:4, 5; 3:1; 4:5; 5:6; Is 11:2; 42:1-7; 61:1, 2; At 10:38; 1Jo 5:7; 2Co 13:14; Mt 12:31, 32; Mc 3:29, 30; Lc 12:10; At 8:5-25; Jo 5:19; 7:39; At 2:33, 34).

Portanto, são três as pessoas da Trindade.Se Deus Pai fosse o Espírito Santo, por que razão Jesus diria: “...em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”? Eles são citados por serem pessoas diferentes.

Em 1873, foi descoberto um manuscrito muito antigo, em pergaminho, intitulado Os Ensinos dos Doze Apóstolos ou Didaquê. É um dos manuscritos mais antigos. Contém 240 páginas e pode ser datado entre os anos 70 a 150 d.C. É um livro que não reclama autoridade apostólica, segundo consta nele próprio, mas reúne, em linguagem muito singela e em forma de manual, os ensinos que os apóstolos ministravam. O autor, cujo nome é desconhecido, teria colhido essas informações pessoalmente ou por tradição oral.

No capítulo 22, diz assim: “Agora, concernente ao batismo, o bispo ou presbítero, como já temos instruído, deve batizar conforme o Senhor ordenou ao dizer: ‘Ide por todo o mundo e ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’.” (Obs.: o interessante é que muitos opositores da verdade utilizam esse livro – o Didaquê – , quando lhes convém, para fundamentar suas idéias. Veja agora o que os líderes da primitiva igreja cristã disseram sobre o assunto do batismo:

Justino Mártir. Esse pastor da igreja apostólica viveu até o ano 165 d.C., quando foi martirizado. Veja o que ele escreveu sobre o batismo: “Todos quantos são persuadidos e creem nas coisas que nós falamos e ensinamos, como verídicas, e prometem viver de acordo com isso, recebem instrução e oram a Deus. Depois, são conduzidos por nós até um lugar onde haja água. Então, no nome do Pai e Senhor de todo o Universo, e do nosso Salvador Jesus Cristo e do Espírito Santo, eles recebem a purificação com água.”

Inácio (pastor que viveu nos últimos anos do primeiro século) escreveu: “Não há três Pais e nem três Filhos, e nem três Paracletos. Portanto, o Senhor, enviando os apóstolos a fazer discípulos de todas as nações, ordenou-lhes que batizassem no nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, não em três nomes, nem em três encarnações, mas em nome dos três de igual honra.”

Tertuliano (viveu entre os anos 160 a 240 d.C.) escreveu: “Ordenando que batizassem em o Pai, e o Filho e o Espírito Santo, e não em um só.”

Clemente de Alexandria (pastor que viveu de 150 a 213 d.C.) afirmou: “O homem batizado em Deus, entrou em Deus, e recebeu poder sobre escorpiões, para pisar serpentes – os poderes malignos. E aos apóstolos ordenou: ‘Ide pregar, e aqueles que creem, batizai-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo’.”

Poderíamos citar ainda Cipriano de Cartago (240-258 d.C.), Orígenes (184-254 d.C.), Dídimo de Alexandria, Basílio Magno e Calvino (Genebra, Suíça), mas não se faz necessário. Então, por que hoje alguns batizam só em nome de Jesus?

Costuma-se citar as seguintes passagens:

Atos 2:38 – “...seja batizado em nome de Jesus Cristo.”

Atos 8:16 – “...haviam sido batizados em o nome do Senhor Jesus.”

Atos 10:48 – “...batizados em nome de Jesus Cristo.”

Atos 19:5 – “...foram batizados em o nome do Senhor Jesus.”

Dessas quatro passagens realmente não se pode chegar à conclusão de que se deve batizar somente em nome de Jesus. Mesmo que o texto de Mateus 28:19 não existisse, tal interpretação traria muita confusão.

Afinal, qual é a forma correta de se batizar? “Em nome de Jesus Cristo”? (At 2:38; 10:48), ou “em nome do Senhor Jesus”? (At 8:16; 19:5).

A expressão “Em nome de Jesus”, especificamente, não existe em nenhuma passagem. E será que não é importante citar “Cristo” ou o “Senhor”? (ver Ec 3:14). Alguns foram batizados de um jeito. Outros, de forma diferente.

O historiador Flávio Josefo menciona pelo menos 13 homens chamados “Jesus”, que viviam na época em que Cristo nasceu. Portanto, esse era realmente um nome muito comum. Se fosse verdade que “Jesus” constituísse o nome oficial de Deus, seria uma grande blasfêmia colocar esse nome nos filhos. Os judeus jamais fariam tal coisa.

A designação completa para o Deus Filho é: O Senhor Jesus Cristo. “Senhor” indica Sua divindade (Ele é Deus); “Jesus” é o nome de Sua humanidade (Ele é Homem); “Cristo” se refere a Sua posição de Messias, o Ungido de Deus.Sem dúvida, as quatro passagens referidas acima não tratam da “fórmula” usada pelos apóstolos ao realizar os batismos, mas sim da autoridade com que realizavam os batismos. Naturalmente, essa autoridade é do Senhor Jesus Cristo.

Jesus foi crucificado como impostor, perturbador da paz e inimigo do povo. A divindade de Jesus não foi aceita pelo povo judeu, por isso os discípulos deixaram claro que o batismo por eles realizado era por ordem de Jesus, e sob Sua autoridade. Portanto, era fundamental para o estabelecimento do cristianismo no mundo que as pessoas aceitassem a Cristo como Filho de Deus.

Leia com bastante atenção Mateus 7:21-23. O nome de Jesus é muito importante, no entanto, mais importante que o nome é o próprio Jesus. E Jesus disse: “Batizai em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28:19). Se Jesus disse, quem somos nós para dizer diferente? A oração, nós a fazemos “em nome de Jesus”, pois essa foi a ordem: “Se pedirdes alguma coisa em Meu nome, Eu a farei” (Jo 14:14). Só batizaríamos [nós adventistas] “em nome de Jesus”, se em Mateus 28:19 estivesse escrito assim: “Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em Meu nome.” Como não está escrito dessa forma, preferimos ficar com o que ordena a Palavra de Deus.


(Vanderlei Ricken)